sexta-feira, 22 de julho de 2016

Filmes: "Batman versus Superman - A Origem da Justiça"

ABOMINAÇÃO

Se quiser ter uma experiência semelhante a ver este filme, assista a um show de sertanejo universitário enquanto bate a cabeça numa parede

- por André Lux, crítico-spam

Quem acompanha minhas críticas sabe o que quanto eu desprezo o último filme baseado no Superman, chamado apenas de “Homem de Aço”, certamente uma das coisas mais grotescas que já assisti na vida. Assim, nem perdi meu tempo indo ao cinema para ver a continuação daquele lixo que, para tentar atrair mais fanáticos por quadrinhos, colocou o Batman no meio e botou os dois para brigarem entre si.

Na verdade, esse conceito surgiu com a espetacular graphic novel “The Dark Knight Returns” que Frank Miller criou em 1986, provocou um terremoto no mundo dos quadrinhos e meio que serviu de base para os filmes sobre o Batman desde então, principalmente os dirigidos pelo Christopher Nolan e estrelados por Christian Bale.

Nasceu então “Batman versus Superman – A Origem da Justiça” que, desculpem o termo chulo, é uma bosta inigualável cujo único “mérito” é conseguir ser ainda pior e mais nojento que o “Homem de Aço”. A gente tem que tirar o chapéu para o diretor Zack Snyder por ser capaz de criar e jogar no mundo tamanha porcaria sem ficar vermelho de vergonha, conseguindo irritar tanto os críticos quanto a maioria absoluta dos fãs dos personagens.

Fui ver logo a Versão Estendida do filme, que acreditem se quiser, tem 3 horas de duração e é praticamente impossível de seguir, tamanho o número de tramas e sub-tramas que os roteiristas enfiam ao longo da projeção para tentar justificar o conflito entre o Superman e o Batman. Tudo é tão forçado e, em última instância, sem sentido, que quando os dois saem na porrada a gente já está completamente exausto e sem o menor interesse para entender o que se passa na tela.

Ou seja, a pessoa precisa aturar quase 2 horas e meia de um filme pesado, escuro e arrastado quase todo focado em políticos e jornalistas questionando as ações do Superman (tudo que a gente sonha em ver num filme sobre um sujeito que usa uma capa e cueca vermelha enquanto voa pelo céu), planos mirabolantes completamente non-sense feitos pelo Lex Luthor para jogar os heróis um contra o outro, investigações que não levam a lugar algum, cenas de enterros intermináveis e aquela trilha sonora insuportável composta pelo abominável Hans Zimmer e seu atual "xapa" Junkie XL. O troféu abacaxi vai para a música que a dupla criou para as aparições da Mulher Maravilha, que parece saída de um episódio do Chapolin Colorado de tão bisonha e risível, mas que acaba sendo a única coisa que ao menos soa como música, já que o resto da trilha parece uma mixagem de sons de motor de dentista, peidos de rinoceronte e alguém socando um sintetizador com luva de boxe.

Praticamente não há qualquer cena de ação nos dois terços iniciais do filme, só papo furado e cenas do Superman com cara de quem está com aquela diarreia das bravas! Inacreditável. A cena de abertura é completamente estúpida, com o Bruce Wayne chegando a Metrópolis (que pelo jeito fica a poucos quilometros de Gothan City) de helicóptero e correndo alucinado pelas ruas da cidade enquanto Superman e Zod lutam e destroem a cidade toda. Por que ele iria fazer isso? E se precisava tanto fazer, por que não foi como Batman, em uma de suas aeronaves? E não para por aí. O filme todo é recheado de sequências como essa, que não fazem o menor sentido sob qualquer ângulo e servem apenas para gerar momentos dramáticos (que nada tem de dramáticos) ou para dar continuidade à trama sem pé nem cabeça.

O ponto mais baixo dessa abominação certamente é o que fizeram com o Batman, que aqui é transformado num psicopata descontrolado que simplesmente mata qualquer um usando inclusive metralhadoras, algo que viola todo o cânone do personagem. Ben Affleck causou a ira dos fãs quando foi anunciado no papel, mas sinceramente ele nem está tão ruim assim, embora não tenha nada a fazer a não ser parecer de saco cheio e dar uns sorrisinhos amarelos (o filme é completamente desprovido de humor!). E ele não funciona nem um pouco quando veste a armadura. Não sei se a culpa é do formato do corpo dele ou do desenho do figurino, mas o Batman ficou parecendo um sujeito obeso, lerdo e troncudo usando uma roupa de borracha tosca.

Jesse Eisenber com certeza vai ganhar o Framboesa de Ouro de pior ator pelo seu desempenho como Lex Luthor, de longe uma das coisas mais ridículas e erradas que já apareceram nas telas do cinema. E a tão esperada luta entre os dois heróis? Bom, ela acontece praticamente no final do filme, dura míseros 8 minutos e acaba porque o Super pede pro Batman salvar a... Martha! Sim, é isso mesmo. Martha é o nome da mãe dele que é o mesmo nome da mãe do Batman. Não estou brincando, é assim mesmo. Sério. Daí aparece do nada o Doomsday, que na outra encarnação foi um troll do Senhor dos Anéis, e todo mundo fica brigando com ele, enquanto o monstro solta raios cor de rosa que, juro, quase me causaram um ataque epiléptico enquanto eu lutava contra o sono!

Vou parar por aqui porque ficar lembrando dessas três horas da minha vida que eu perdi para sempre vendo essa abominação está me dando dor de cabeça. Se quiser ter uma experiência semelhante ao que é ver este filme, experimente assistir a um show de sertanejo universitário enquanto bate a cabeça numa parede de concreto. Minto. Acho que não será a mesma coisa, pois você pode se até que você se divirta no processo, o que certamente não vai acontecer enquanto vê “Batman versus Superman”...

Cotação: ZERO

3 comentários:

ARM_Coder disse...

Eu não costumo ter grandes expectativas com esses filmes de super-herói, seja da Marvel ou da DC, então eu acabo dando um desconto.

Quanto ao Ben Affleck, acho que entendi a escolha. Um Batman coroa, meio gordo, é exatamente o visual dos quadrinhos “The Dark Knight Returns”, de onde o duelo foi fortemente inspirado. Até alguns diálogos são os mesmos!

O monstro do final é ridículo mesmo, e além da animação nível Playstation, é um humanoide sem genitália, parece boneco de vitrine de shopping, só maior e mais feio.

Mais um daqueles filmes pra ver em casa no PPV, largado no sofá com a mulher, enquanto dá uma olhada no Twitter ou no Whatsapp. Só pra passar o tempo mesmo.

Pedro disse...

Realmente gosto é gosto. Eu achei um puto filmaço, sem os coloridos e as piadas dos filmes da Marvel. O filme tem uma linguagem mais adulta. E a cena da Marta foi um truque psicologico muito foda.

Letrex disse...

Muito legal essa crítica. Dei muita risada com os termos usados. Esse filme deve ser mais um desses que são feitos pra quem tem estopa no lugar do cérebro.

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