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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Música de cinema: Saiba como são compostas as trilhas dos filmes

Trabalho complexo do compositor de cinema é muitas vezes subestimado pela maioria dos espectadores e críticos profissionais, infelizmente.

- por André Lux, crítico-spam

John Williams é o autor de algumas das partituras mais famosas do cinema
O cinema é a forma de arte que abre uma janela para um mundo mágico: o mundo da imagem, do som e da música. 

De todos os ingredientes na fórmula para o sucesso de um filme, a música é sem dúvida o mais sutil e eficaz, afinal é ela que sugere e pontua as ações vistas na tela.

Todavia, nem sempre você pode estar ciente disso, pois qualquer coisa desde uma trombada de carros a uma batalha feroz pode estar competindo pela sua atenção. Mas é fato que sem o toque musical de um compositor hábil até mesmo o ataque furioso de um tubarão de duas toneladas pode tornar-se monótono.

Jerry Goldsmith conduz a orquestra
São nomes como de John Williams, Jerry Goldsmith, Ennio Morricone, Bernard Herrmann, John Barry, Patrick Doyle, Basil Poledouris, Nino Rota, Alfred Newman e Howard Shore, entre tantos outros, que garantem a nossa emoção no escurinho do cinema.

Apesar disso, o compositor de música para o cinema possui um trabalho quase sempre subestimado. 

Ele pode ser ouvido diariamente nos cinemas ou em vídeo por milhões de pessoas, mas continua anônimo para a grande maioria. Mesmo entre os críticos profissionais as partituras musicais raramente merecem destaque nas análises ou então são tratadas com lamentável desdém.

Veja o caso da trilogia de ''O Senhor dos Anéis'', cuja trilha sonora de Howard Shore é de longe uma das melhores já compostas nos últimos 20 anos e foi fator imprescindível para o sucesso das produções. Agora tente lembrar quantas críticas destacavam esse impressionante trabalho...

A verdade é que muitos esquecem (ou não percebem) que é graças ao trabalho desses profissionais que somos induzidos a chorar quanto ''E.T. - O Extraterrestre'' deixa nosso planeta, a morrer de rir quando um ''Gremlin'' é cozido num micro-ondas, a ter nosso sangue gelado quando ''Drácula'' ataca o pescoço de sua vítima ou a ficar sem fôlego enquanto ''Indiana Jones'' luta à beira de um abismo.

Mas a música também tem um papel importante em filmes mais complexos e profundos, que são considerados por muitos como ''cinema de arte''. 

Se não concorda com essa afirmação então é bom você rever filmes como ''Psicose'' (de Alfred Hitchcock), ''Cinema Paradiso'', ''Ed Wood'', ''Cidadão Kane'', ''Freud'', ''Henrique V'' (de Kenneth Branagh), ''Ran'' ou ''Era uma Vez na América'' e começar a prestar atenção às suas trilhas sonoras...

Ennio Morricone perdeu a conta 
de quantas trilhas já compôs
Sociedade dos Poetas... Desconhecidos

Infelizmente isso acontece porque a maioria das pessoas não tem ideia do complexo processo que é a criação de uma trilha musical de qualidade. 

Tudo começa com a discussão entre o compositor e o diretor, na qual eles vão decidir como será a composição dos temas e passagens que, via de regra, devem estar de acordo com a cena para a qual destinam-se. 

Às vezes, essa sincronia é tão perfeita que chega a acompanhar os movimentos de algo na tela. Essa técnica pode ser vista em ''Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban'', de John Williams, nas cenas em que o protagonista examina o seu mapa - repare que a música segue as pegadas que aparecem nele!

O segundo e mais complexo passo é justamente o da composição e orquestração, que consiste no arranjo da partitura para as diferentes partes da orquestra, coral e solistas. Geralmente a orquestração é feita por outro músico, colaborador de confiança do compositor, que tem a função de ajudar no processo já que o tempo para completar todo o trabalho é sempre curto.

O último passo é a gravação da trilha musical. Nessa etapa a batuta do maestro deve conduzir os músicos a uma perfeita sincronia com a imagem. Compositores experimentados como Williams, Goldsmith e Morricone habitualmente regem suas próprias composições.

Esse processo é basicamente o mesmo, até quando as trilhas serão executadas em sintetizadores ou por um pequeno grupo de músicos. Mas a ordem dele não sempre é respeitada. 

Diretores como Spielberg, Tornatore, Felini e Leone muitas vezes pediam para seus compositores gravarem alguns temas ou mesmo passagens musicais antes mesmo da produção começar, usando-as depois durante as filmagens não apenas para pontuar a ação, mas também para servir de inspiração ao elenco e à equipe técnica.

Praticamente todos os filmes de Spielberg tem música de John Williams
Alguns exemplos dessa aproximação pouco ortodoxa aconteceram em filmes como ''Era uma Vez no Oeste'', de Sergio Leone com música de Ennio Morricone, e em ''Contatos Imediatos do Terceiro Grau'', onde Spielberg deixou Williams compor a música para a seqüência final da descida da nave mãe antes de terminar o processo de edição e finalização dos efeitos visuais.

Um outro passo que pode ou não se tornar uma realidade é o lançamento da trilha sonora em CD no mercado de discos. Isso acontece quando existe interesse por parte de alguma gravadora em investir na sua comercialização.

Trilha de "Alien" demorou décadas
para ser lançada completa
Alguns selos nos EUA e na Europa são especializados em músicas de filmes, como Varese Sarabande, Intrada ou Prometheus, e procuram lançar trilhas que normalmente não encontram espaço dentro de grandes gravadoras ou disponibilizam trilhas antigas em suas formas completas.

Eternamente Jovem

A verdadeira música de cinema nunca vai deixar de ser apreciada, mesmo com o passar do tempo. A trilha composta pelo grande Miklos Rosza para ''Ben-Hur'' vai continuar emocionando os ouvintes da mesma forma que fez na época em que o filme foi lançado nos cinemas em 1959. 

A complexidade das orquestrações e a mistura de estilos com que Jerry Goldsmith executou a música para o clássico ''Planeta dos Macacos'', de 1968, nos permite uma nova interpretação e descoberta a cada nova audição. 

A magnífica partitura que Howard Shore compôs para a trilogia de ''O Senhor dos Anéis'' certamente continuará impressionando qualquer um que tenha ouvidos sensíveis, mesmo quando os efeitos visuais do filme tiverem ficado obsoletos...

Obviamente nem todas as trilhas originais mereçam o mesmo respeito de algumas das citadas acima. O mesmo valendo para certos compositores, que não possuem o talento ou conhecimento técnico necessários para a empreitada e acabam prejudicando os filmes para os quais são contratados. 

Isso sem dizer que existem muitos cineastas que, a exemplo de alguns críticos, tratam as trilhas musicais de seus filmes com incrível menosprezo.

Mesmo assim, é impossível negar o forte apelo e a influência que a música de cinema exerce mesmo fora das telas. 

Saber apreciar as obras desses verdadeiros mestres da música erudita contemporânea, além de ser um privilégio, é uma forma prazerosa, sadia e instigante de cultivar o hábito necessário para a melhor compreensão do universo artístico como um todo.

Howard Shore na gravação da música para "O Senhor dos Anéis"

6 comentários:

Cybershark disse...

Minha paixão incondicional pela sétima arte me levou ao universo das trilhas sonoras. Desde o último trimestre de 2002, tenho o prazer de ouvir Vangelis, Williams, Horner, Morricone, Goldsmith, Rozsa, Herrmann e tantos outros. Com certeza é meu gênero musical preferido - tanto é que só neste ano tive alguma curiosidade em descobrir algo de bom entre as músicas "cantadas", mais aceitas comercialmente.

marciorsg disse...

Oi andré, já desde o ano passado eu acompanho o teu blog, e achei interessante o que tu escreveste sobre a tua saída da matrix. Mas outra hora escrevo sobre isso. Eu quero mesmo é escrever sobre as trilhas sonoras. Eu comprei um teclado para aprender a tirar essas músicas que eu gosto. Nossa é muito bom voce tocar uma música que você gosta, para pessoas que voce gosta. Abraço.

Joel Bueno disse...

Ótimo artigo. Mas faltou lembrar de "Alexandre Nevsky", de Eisenstein, com trilha sonora de Prokofiev, uma das mais perfeitas sincronias de música e imagem.
A cena do combate entre os russos e os falsos cruzados é impressionante, com um tema para cada tropa, que se mesclam em uma verdadeira "luta" musical. Até o gelo do rio rachando sob os pesados cavaleiros inimigos tem correspondência na trilha sonora.

Maurício-Santos-industriário disse...

ótimo André!....é isso que eu quis dizer lá no comentário do Avatar quanto a não desperdiçar sua inteligência.Ótimo artigo, demonstra conhecimento e informa quem não conhece do assunto, como por exemplo:.....eu.

Esse é o André que eu gosto de ler!!!

Hector disse...

Prokofiev sempre foi um ótimo compositor para cinema Joel. O André se esqueceu do meu preferido : Philip Glass, responsável pelo ambiente claustofóbico como em "As Horas".

Anônimo disse...

esqueceu de falar da maravilhosa trilha de Forrest Gump- o contador de histórias, também pelo mestre John Williams

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