terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Filmes: "Robocop" (2014)

O CAPITÃO NASCIMENTO DO FUTURO

Até esse filme, não conseguia decidir se o cineasta José Padilha era apenas um inocente útil ou um canalha mesmo. Agora eu sei.

- por André Lux, crítico-spam

Esse novo “Robocop” não chega a ser um filme ruim, tecnicamente falando (exceto a trilha musical, que é lamentável - leia aqui minha análise dela). É muito bem feito, tem excelentes atores e consegue manter o interesse nos dois primeiros terços da projeção. 

O problema mesmo é o terceiro ato, que joga tudo que foi mostrado antes para o alto e descamba para os clichês mais imbecis do cinema de ação made in USA. Mas o que implode mesmo o filme é a mensagem fascista que a obra transmite.

Eu vou ser sincero: até ver esse filme, não conseguia decidir se o cineasta José Padilha era apenas um inocente útil ou um canalha mesmo. Seu “Tropa de Elite” é um dos filmes mais asquerosos já produzidos, do tipo que faria Adolf Hitler e seus seguidores aplaudirem de pé (e como aplaudiram!). 

Chamado de fascista por um grande número de analistas, Padilha negou de pés juntos e aí fez o “Tropa de Elite 2”, que é uma tentativa desesperada (e sem sucesso) de provar que não reza pela cartilha dos nazi-fascistas. Mas, diabos, ele fez aquele excelente documentário “Ônibus 174” que era uma defesa valorosa dos direitos humanos!

Todavia, um cidadão que faz parte do Instituto Millenium (clique aqui para saber o que é isso, mas prepare o saco de vômito) e ganhou nada menos do que TRÊS capas da revista Veja, o maior panfleto da extrema-direita tupiniquim, não pode bancar o inocente. Então...

Diga-me com quem tu andas: Padilha é membro orgulhoso do Instituto Millenium
Agora vem esse “Robocop”, refilmagem do original feito em 1987 pelo holandês Paul Verhoeven que é considerado hoje um mini-clássico do gênero e este sim uma forte bofetada na cara dos extremistas de direita. Na época, buscando projetos para filmar nos EUA pela segunda vez (seu primeiro filme é o poderoso “Conquista Sangrenta”, que quase ninguém viu), Verhoeven leu o roteiro de “Robocop” e jogou de lado, desinteressado. 

Alguns dias depois, sua esposa perguntou a ele: “Não vai filmar a história do Jesus Cristo fascista”? E aí ele releu o roteiro e, claro, sua mente fervilhou com ideias subversivas para jogar na história e o resultado já é bem conhecido.

O que era para ser apenas um filminho de ação feito com míseros US$ 17 milhões (uma ninharia para se fazer um filme de ficção científica) sobre um Frankstein robótico dando tiros e sopapos, tornou-se uma das obras mais ácidas da história do cinema, lembrada até hoje com carinho pelos fãs que, sim, percebem claramente a crítica feroz a tudo que existe de errado na civilização ocidental liderada pelos EUA (naquela Detroit futurista, até a polícia havia sido privatizada).

O que torna o filme de Verhoeven tão fora de série dentro do gênero é exatamente a subversão que faz dos clichês. Assim, não existem mocinhos e bandidos no filme. Todo mundo é meio podre, esquisito, problemático, neurótico, aproveitador. Pegue o sujeito que criou o Robocop.

Se Veja elogia, boa coisa não pode ser
No novo filme do Padilha ele é praticamente um santo, que aceita vender seus ideais para ajudar a construir um policial meio homem e meio máquina com as melhores intenções do mundo e, quando descobre que foi enganado, praticamente dá a vida pela causa. 

Já no filme do Verhoeven, o cara é um tremendo almofadinha, que só quer saber de subir na empresa às custas do seu projeto e é morto pelo vilão no meio de uma orgia com prostitutas e cocaína (nada contra as prostitutas, muito pelo contrário).

Eu lembro perfeitamente como esse tipo de subversão, pequena é verdade, é eficiente em acionar partes dormentes do cérebro, justamente por ser algo tão fora do padrão. Ou seja, é o tipo de artifício sutil que te faz pensar e questionar coisas que normalmente você não questionaria.

E ao mesmo tempo que joga com esse tipo de sutileza, Verhoeven choca em seguida com sequências absolutamente exageradas, beirando a caricatura, como a morte do policial Murphy, colocado em posição de crucificação (lembram do Jesus Fascista?) pelo psicopata interpretado com maestria por  (da série “The 70’s Show” que tem cara de bonzinho e é também uma adição saborosa ao delírio subversivo de Verhoeven).

Enfim, é impossível não comparar as duas obras e, claro, a nova versão dirigida pelo Padilha perde feio. Primeiro, porque o brasileiro não é chegado em sutilezas. Filma tudo com mão pesada e marreta suas supostas mensagens com a delicadeza de um rinoceronte com dor de dente. 

Assim, como todo bom fascista, Padilha finge criticar e ironizar as manias de grandeza dos EUA e sua sociedade do consumo colocando tudo isso nas costas dos dois vilões principais do filme: o dono da corporação que produz o Robocop e manda na polícia (Michael Keaton, péssimo como sempre) e no apresentador de TV ultra-reacionário interpretado por Samuel L. Jackson, que não deveria se prestar a esse tipo de besteira (as cenas com ele são as piores do filme).

São aqueles tipo de vilões extremamente caricatos que a gente vê todos os dias nos filmes enlatados dos EUA, que fazem maldades simplesmente porque... são maus e sabem que são maus. Isso é algo tão ridículo e longe da realidade, que não causa o menor impacto ou reflexão. Simplesmente porque ninguém é mau, sabe que é mau e gosta de fazer maldades, nem mesmo o Hitler. 

O ser humano é por demais complexo para esse tipo de reducionismo barato que é usado pelo cinema estadunidense com maestria para entorpecer a mente dos espectadores enquanto as VERDADEIRAS mensagens são passadas de maneira muito mais sutil e subliminar.

No filme original, quando o Robocop vai prender o traficante psicopata (notem, um doente mental, não uma caricatura), ele refreia no último instante seu instinto de simplesmente esmagar o pescoço do seu executor lembrando que é um POLICIAL, ou seja, alguém que tem como profissão o respeito às leis. Não existe, na minha opinião, mensagem mais anti-fascista do que essa.

O Capitão Nascimento do Futuro, 
prendendo e arrebentando
Já no novo filme, o herói invade a fábrica de drogas do vilão (que é mau, sabe que é mau e gosta de fazer maldades) e simplesmente mata todo mundo, mesmo quando obviamente não havia mais necessidade. 

Ou seja, age como policial, juiz, júri e executor. Faz justiça com as próprias mãos, dando uma banana para a lei e a ordem, que ele teria como obrigação proteger, exatamente como o nefasto Capitão Nascimento dos "Tropa de Elite", naquela estilo "prendo e arrebento" tão comum durante a ditadura militar no Brasil. Coincidência. Só que não.

Falando agora apenas do filme em si, achei muito ruim a ideia de mostrar o Robocop como uma pessoa normal já de cara, com todas suas memórias intactas. No original, ele tem todas as memórias apagadas e é apenas uma máquina com algum tecido humano, porém com o passar do tempo, suas emoções vão ressurgindo e com elas as memórias, diminuindo a parte mecânica e aumentando a parte humana. Só na cena final é que ele finalmente diz seu nome, reconhecendo que, afinal, é um homem. Perfeito.

No novo filme, ele começa normal, depois tem as emoções retiradas, depois a memória e, em menos de 10 minutos, volta ao normal de novo e pronto, parte para a vingança. Assim, tirando esses poucos minutos em que realmente foi o Robocop, no resto do filme ele não passa de uma versão em preto do “Homem de Ferro”, só que com uma armadura colada eternamente ao corpo. 

Esse vai e vem de memórias e sentimentos humanos até é bem utilizado nas primeiras duas partes, mas, como eu disse, é jogado para o alto no final e tudo vira mais uma daquelas intermináveis sequências de ação, tiro e luta que são obrigatórias em qualquer filme de Roliúdi nos últimos dez anos...

Já falei demais de um filme tão desprezível. Nem vale a pena. A não ser para confirmar que José Padilha, definitivamente, de ingênuo não tem nada. 

Cotação: *

11 comentários:

Paulo disse...

Respeito sua crítica, mas ela não tem sentido. Você esta usando sua opinião pessoal contra o Padilha para criticar filme. O novo robocop me surpreendeu positivamente, pois foi muito bem dirigido. E aquela conclusão foi épica, foi um tapa com luva de pelica na cara da política Internacional dos EUA.

André Lux disse...

O diretor é a obra. A obra é o diretor. Não tem como separar uma coisa da outra, ainda mais num filme assim, cheio de supostas mensagens e lições de moral. O final que você achou épico eu achei ridículo. É caricato ao extremo, não registra, não faz ninguém pensar. Quem já é contra o imperialismo estadunidense, vai gostar e vai continuar contra. Quem não é, vai achar que foi um elogio e ponto. Enquanto isso, a VERDADEIRA mensagem fascista que ele quer transmitir, entra de forma subliminar na mente dos incautos. Esse é o perigo desse tipo de obra.

Anônimo disse...

Não sabia que o Padilha pertencia ao Instituto Millenium, até porque toda hora tem gente entrando nesse embrião de partido fascista. Se ele pertence a essa excrescência não é necessário dizer mais nada sobre o seu caráter e suas intenções.

Anônimo disse...

Meu nome é Rafael, eu considero esse tipo de crítica um certo "desespero ideológico". Pois, quem garante que há alguma mensagem ali? Podemos nós tirarmos mensagens do filme, mas quem garante que Padilha apenas não quis ali fazer um filme de ação, com muito tiroteio? Havia milhões para ele gastar com Robocop afinal.

Paulo disse...

Quem entendeu a ironia das declarações do personagem ao final do filme, vibrou com com aquele desfecho. O filme discute a ideia das máquinas combatendo o crime e todas as consequências de tal decisão. O tem filme tem falhas, mas tem suas virtudes e foi o melhor remake dos últimos tempos.


Paulo disse...

E na hora do fábrica, o robocop não mata por matar, pois os criminosos estacam armados até os dentes e atirando nele.

Anônimo disse...

Grande bosta a sua visão... Enfia ela no rabo e fique de bico calado! Vc se acha bom o suficiente pra criticar, mas nunca será capaz de produzir, dirigir ou qualquer outra coisa que se aproxime desse filme ou o pior filme já produzido. Falta muita cultura em você. Como diria Tambor em Bambi: "Se não sabe o que dizer, não diga nada! "

André Lux disse...

Não sei não, mas acho que o anônimo aí em cima não curtiu a minha análise do filme...

David disse...

Se aqui fosse o facebook. Esse ultimo comentário do Andre Lux teria muitos likes, inclusive o meu. Em relação a sua critica do filme, eu também acho que não se deve confundir obra com diretor, mesmo porque nem sempre se coloca tudo que o diretor(ou autor) pensa na sua obra. Você pode concordar com o argumento x que o diretor apresentou, sobre um determinado assunto. E em outro assunto, não apresentado na obra,o diretor pode ter um argumento abominável. E ainda, podemos ter um diretor tao incompetente que quer dizer algo na sua obra, e acaba demonstrando outra. No final, o que importa é o que é colocado no filme. Devemos também levar em conta, que Padilha não tem total domínio sobre a obra em questão. No caso do primeiro Tropa de Elite, temos que diferencia a opinião do Narrador( Capitão Nascimento) do autor e ainda a nossa própria opinião, porque me parece um filme que deixa em aberto, para você escolher. Pra terminar, eu não tenho tanta certeza se Padilha eh essa pessoa que você diz, mesmo porque se ele fosse dessa direita fascista que existe aqui, ele não teria vergonha de admitir. Ele acharia a coisa mais natural do mundo ter esses posicionamentos e ainda teria gente que iria aplaudir. Porem, como você bem lembrou no seu texto, existe o Tropa de Elite 2 e o Ônibus 174.

Edson Zamperlin disse...

Lendo tudo isso. Vc falou mais sobre seu segmento democratico doque do filme rs. Acho que para ser um crítico deve-se focar no assunto em pauta. Classificar o diretor como fascista ou seja la pque mais vc falou não tem relação com a produção... o seu co texto de achar errado que o mocinho mate os vilões ttansforma sua crítoca em uma opinião sem nexo.

Leonardo disse...

Ah vai falar que nao gostou de tropa 1 ? Ver maconheiro tomando tapa na cara nao tem preço. Tu curte uma
Maconha?

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