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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Vídeo: "Artista do Desastre" é um filme sobre o pior filme de todos os tempos


Neste vídeo falo sobre o longa dirigido por James Franco que trata sobre a produção de "The Room", cultuado hoje como o "Cidadão Kane" dos filmes ruins.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"Alien Covenant": no espaço ninguém vai te ouvir xingando!

Minha análise do mais novo filme da franquia "Alien", sem dúvida o mais ridículo e tosco, perfeito candidato a trash. Contém spoilers!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Vídeo: "Blade Runner 2049" fica ainda pior numa revisão

Neste vídeo falo sobre a decepção de assistir novamente "Blade Runner 2049" e aponto os principais defeitos do filme. Contém spoilers!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

"Star Wars: Os Últimos Jedi" e a Ira dos Fanboys

Afinal, o episódio 8 de Star Wars merece esses ataques todos que vem recebendo de alguns fãs? Confira minha opinião.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Filmes: "Star Wars: Os Últimos Jedi"

NEGÓCIO ARRISCADO

Novo filme de “Star Wars” ousa seguir caminhos diferentes e provoca a fúria dos fãs mais conservadores

- por André Lux, crítico-spam


Não deve estar nada fácil a vida dos responsáveis pela continuidade da franquia Star Wars tanto na Lucasfilm, quanto na Disney, agora que a criação de George Lucas adquiriu ares míticos e gera um fanatismo inacreditável entre muitos apreciadores. O filme anterior “O Despertar da Força”, sétimo capítulo, foi bem recebido pela maioria e fez grande sucesso, porém recebeu muitas críticas por ter trilhado caminhos fáceis demais e foi acusado de basicamente refilmar o episódio IV, “Uma Nova Esperança”. O que não deixa de ser verdade.

Chega agora aos cinemas a esperada continuação “Star Wars: Os Últimos Jedi” e as reações tem sido basicamente de amor e ódio. Eu confesso que tive que ver o filme duas vezes (a primeira assisti em cópia dublada e com minha filha pequena junto, o que me impediu de prestar a atenção em muitas passagens) para finalmente formar minha opinião (vejam aqui o vídeo que gravei logo após a primeira exibição). E agora posso dizer em alto e bom som que o filme é muito bom! E totalmente fora do que todo mundo esperava!

E esse é o principal fato que muitos fãs não estão conseguindo entender e que vem gerando tanta fúria. O roteirista e diretor Rian Johnson, do qual vi apenas “Looper” um filme que considero fraco, recebeu carta branca para criar este novo episódio da forma que achasse melhor e ele ousou e fez um negócio extremamente arriscado. “O Despertar da Força”, que recebeu críticas por ser reciclagem dos anteriores, levantou um monte de bolas no ar que serviram para gerar centenas de conjecturas e teorias entre os fãs, a maioria relacionadas aos personagens Rey, Luke e Snoke. Mas o senhor Johnson meio que deu uma banana para tudo isso e criou algo completamente novo e inesperado, fugindo do óbvio e ignorando por completo as “fan theories”. Em alguns momentos ele parece estar literalmente "trollando" esse pessoal! Reparem por exemplo que em nenhuma parte do filme acontece um duelo de sabres de luz!

Por causa disso deixou todo mundo coçando a cabeça sem entender direito o que havia visto e provocou reações extremas de fúria entre muitos apreciadores, vários dos quais reclamaram das obviedades do filme anterior. Em termos de estrutura e temática, “Os Últimos Jedi” é bastante semelhante a “O Império Contra-Ataca”, o quinto episódio e considerado o melhor pela maioria absoluta. Assim como aquele, o novo filme é um tratado sobre o fracasso, algo que é inclusive destacado na fala de um dos personagens da série original que reaparece aqui em uma ponta.

Todavia, o que a maioria esquece é que “O Império Contra-Ataca” não fez tanto sucesso quanto os outros filmes na época. Eu, por exemplo, vi o primeiro, “Uma Nova Esperança”, quando tinha oito anos de idade três ou quatro vezes no cinema, algo praticamente épico num tempo em que não existiam shopping centers e você tinha que arrastar seus pais para as salas que ficavam no Centro da cidade. Já “O Império” eu vi apenas uma vez e meio que apaguei da memória devido ao trauma causado principalmente pela revelação sobre Darth Vader ser o pai do Luke e pela surra que os rebeldes tomam do Império. Algo completamente oposto do clima otimista e festivo do anterior. Não estou comparando os filmes, apenas dizendo que existem muitas semelhanças entre eles, inclusive a reação dos espectadores.

Por isso que consegui apreciar melhor “Os Último Jedi” apenas durante a segunda exibição, quando já tinha jogado minhas expectativas pela janela e o senti pelo que ele é. Só que mesmo durante a primeira sessão eu achei o filme muito bem feito e divertido, embora apresente muitas falhas e furos no roteiro. Mas em momento algum senti vergonha como aconteceu durante os infames episódios I, II e III, especialmente “A Vingança dos Sith” durante o qual me contorci em agonia durante quase toda a exibição.




Um dos pontos altos do novo filme, como é de costume em Star Wars, é a trilha musical do mestre John Williams que reusa vários temas dos filmes antigos de forma fabulosa (principalmente o da Princesa Leia), levantando o nível geral de qualidade e gerando emoção na medida certa até em momentos que seriam piegas sem sua música sensacional. Nada mal para um senhor de 85 anos que continua exibindo o mesmo vigor e criatividade de sua juventude! 


Interessante também que “Os Últimos Jedi” assume uma veia totalmente anti-capitalista durante a sequência do Cassino de Canto Bigth, onde magnatas torram rios de dinheiro ganho com a venda de armas para a Primeira Ordem e a Resistência, lembrando que guerras são o negócio mais lucrativo em qualquer sistema estelar. 

Star Wars sempre foi, obviamente, antissistema e pró-democracia, afinal Luke Skywalker nada mais era do que um Che Guevara espacial que pegava em armas para derrotar a ditadura do Império (que sempre foi inspirado em Hitler e no nazismo). Chega a ser cômico ver fãs de Star Wars que seguem ideologias de direita e fascistas até. Não cai a ficha de jeito nenhum para algumas pessoas, infelizmente...

Enfim, se você não gostou do filme da primeira vez, vá ver de novo com a mente aberta e sem expectativas. Garanto que terá uma experiência totalmente diferente. E se não viu ainda... o que está esperando?

Cotação: * * * * 1/2

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Filmes: "Thor Ragnarok"

DIVERTIDO

Mas é melhor deixar o cérebro na entrada


- por André Lux, crítico-spam

“Thor Ragnarok” é o terceiro da franquia do ex-deus nórdico e o melhor deles. Aqui resolveram transformar tudo em comédia mesmo, sem tentativas de levar a sério, que foi um dos principais erros dos dois primeiros que foram bem fraquinhos. 


Assim fica mais fácil perdoar a falta de coerência do personagem, cujos poderes e limitações nunca ficam claros - em algumas cenas é indestrutível (sobrevive inclusive a uma luta contra o Hulk só com alguns arranhões), enquanto em outras é facilmente dominado por meio de algemas e de um aparelhinho que enfiam em seu pescoço.

O visual do filme é bacana, colorido e vibrante, a trilha musical de Mark Mothersbaugh consegue ser original ao misturar orquestra com teclados típicos dos anos 80 (ele é um dos fundadores da banda Devo) e o elenco de apoio não deixa a peteca cair, principalmente nos momentos mais cômicos.

A trama que dá vida ao filme, sobre a irmã malvada do Thor (Cate Blanchete certamente divertiu-se no papel) que reaparece e quer destruir tudo, é a coisa menos interessante e atrapalha toda vez que volta ao foco, mas parece que isso é necessário para deixar “Thor Ragnarok” acessível ao espectador médio que provavelmente não entenderia a razão de ser do longa sem algum tipo de conflito bem definido entre o bem e o mal.

Não entendo também como é que Odin (Antony Hopkins com visual de Véio do Rio) pode morrer. Ele não é um deus imortal? Thor e Loky passam por todos os tipos de perigos e devastações e continuam firmes e fortes. Já a mãe deles foi morta com uma simples facada no segundo filme e agora o todo-poderoso Odin morre de velhice, ao que parece. Não faz sentido.

Mas, quem liga, não é? Você pagou para ver um filme sobre o Deus do Trovão dos Vikings que virou super-herói da Marvel, então não dá pra exigir muita lógica mesmo. Melhor deixar o cérebro na entrada e se divertir.

Cotação: * * *

sábado, 7 de outubro de 2017

"Blade Runner": diferenças entre as três principais versões

Filmes: "Blade Runner 2049"

PRETENSÃO DEMAIS, EMOÇÃO DE MENOS

O maior problema desse novo filme é que ele QUER ser uma obra-prima e, no final das contas, acaba sendo apenas pretensioso e incrivelmente arrastado

- por André Lux, crítico-spam


Blade Runner” fracassou na sua estreia em 1982, mas ao longo dos anos tornou-se cult e um dos mais influentes de todos os tempos, especialmente nos quesitos cinematografia e direção de arte. Dirigido por Ridley Scott na época em que ainda tinha algo a dizer, o filme é reconhecido hoje como uma obra-prima que mistura com perfeição ficção científica e policial “noir”, mas sua concepção passou longe de ter sido fácil. Pelo contrário, as brigas entre Scott e o elenco (especialmente Harrison Ford) e sua equipe técnica renderam inclusive livros e documentários excelentes.

A verdade é que ninguém sabia muito bem o que estava fazendo a partir de um roteiro vagamente inspirado em livro do excêntrico Phillip K. Dick. Nem mesmo Scott, haja vista o sem número de versões e novos cortes do filme (oficialmente são 6, culminando recentemente com o “Final Cut” supervisionado pelo próprio diretor!). Mas são assim que as obras geniais do cinema geralmente nascem: de produções conturbadas com poucos recursos e duelos homéricos entre artistas e executivos desesperados por espremer cada centavo atrás de lucro.

Surge então, 35 anos depois, a continuação do clássico, chamada de “Blade Runner 2049” e situada três décadas após os acontecimentos descritos no original. O maior problema desse novo filme é que ele QUER ser uma obra-prima e, no final das contas, acaba sendo apenas pretensioso e incrivelmente arrastado. É um filme de duas horas esticado em um de quase três. Embora o roteiro faça um esforço para ligá-lo ao original, não parece que a ação se passa no mesmo mundo. O estilo de fotografia escolhido pelo diretor Denis Villeneuve e o consagrado fotógrafo Roger Deakins é bem diferente do criado por Ridley Scott e pelo genial Jordan Cronenweth. Villeneuve, que acabara de fazer o brilhante “A Chegada”, aplica o mesmo estilo visual sonolento-esfumaçado aqui, mas isso acaba prejudicando seu “Blade Runner”, pois deixa a tela embaçada, opaca, fator que impede que as grandes tomadas com efeitos visuais brilhem. Muitas vezes mal dá pra ver o que está acontecendo ou para onde os personagens estão indo.

Infelizmente, o maior peso morto do filme novo é o próprio Blade Runner feito por Ryan Gosling, um ator limitado que passa o filme todo com a mesma cara de paspalho. Ficamos sabendo logo no início que ele é um “replicante”, ou seja, um clone designado para não ter emoções humanas e memórias implantadas. Não há, portanto, qualquer possibilidade de nos conectarmos com ele, especialmente quando interage com uma mulher que nada mais é do que um holograma tridimensional, no que é basicamente um robô namorando um programa de computador (subtrama que, por sinal, poderia ter sido descartada já que não chega a lugar algum e tem relevância nula para o filme). Como eles querem que a plateia se relacione com isso? Não dá. Logo, as aventuras de K (abreviatura do seu número de série) não passam qualquer emoção, até porque ele é virtualmente indestrutível. E sobra para o espectador acompanhar ele sendo jogado através de paredes, levando 38 socos na cara, 26 facadas e 14 tiros a queima roupa só para sair andando numa boa em seguida. Há uma luta à beira mar entre ele e outra "replicante" que é particularmente tediosa e alongada além da conta.


"Vamos fazer amor?", diz o holograma para o robô
O charme do filme original - e principal motivo do seu brilhantismo - vem do fato dos “replicantes” estarem em busca da sua humanidade e sobrevivência, demonstrando no processo muito mais emoções como empatia e compaixão do que os próprios seres humanos que vivem em estado praticamente catatônico naquele mundo devastado e poluído. Graças a essa construção narrativa bastante simples, porém eficaz, nos conectamos e nos emocionamos com os arcos sofridos pelos personagens, principalmente o “replicante” Roy Batty, magistralmente interpretado pelo holandês Rutger Hauer, e pelo próprio Blade Runner feito por Harrison Ford, o qual no final pode ser ele mesmo um “replicante”. No filme novo não há nada disso. Os personagens humanos praticamente não existem (e são fracos, com destaque negativo para a chefe de polícia, feita pelo Robin Wright, um personagem que só serve para explicar a trama e agir de maneira totalmente ilógica) e os “replicantes” não tem qualquer desenvolvimento, sendo o pior a malvada assistente do magnata Niander Wallace (um Jared Leto sem qualquer sutileza), uma replicante chamada Luv, que é totalmente caricata e feita por uma atriz péssima.

No terceiro ato, o Blade Runner original, Rick Deckard, reaparece, mas Harrison Ford nem mesmo se esforça para atuar da mesma forma abrasiva e sorumbática do primeiro filme, limitando-se a ser... bem, ele mesmo - com direito a todas as caretas e trejeitos de sempre. O filme aí quer apresentar algumas reviravoltas na trama, mas sinceramente já tinha adivinhado quase tudo faz tempo, sendo que algumas não fazem sentido ou são apenas desinteressantes (a revolta dos “replicantes”, certamente uma porta para possíveis continuações).

O ponto mais baixo do filme, como seria de esperar, é a trilha musical composta pelo abominável Hans Zimmer (em parceria com o sujeito que fez a música de “It – A Coisa”), que nada mais é do que um punhado de barulhos irritantes, ora semelhantes ao peido de um rinoceronte, ora imitando o som de uma serra elétrica - com os volumes aumentados à centésima potência! De vez em quando tenta emular a maravilhosa trilha original de Vangelis, mas nem isso sabe fazer direito, acrescentando sempre algum som bombástico irritante por cima sem qualquer requinte. E sou obrigado a dizer que nem fica entre as piores trilhas dele! Zimmer tem a desculpa de ter sido chamado na última hora, depois que a trilha composta por Johann Johannsson (parceiro habitual do diretor Villeneuve) foi rejeitada. Mas é difícil imaginar que ele tenha criado algo pior do que Zimmer e seu afastamento deve ter sido exigência dos executivos do estúdio, preocupados com um possível fracasso do filme (quando isso acontece, a trilha musical é o primeiro item a “dançar”).

Zimmer, o abominável: "vai uns peidos de rinoceronte aí?"
Não vou exagerar dizendo que “Blade Runner 2049” é ruim. Não é. Tem qualidades, porém os defeitos as superam e a metragem exagerada (2h41) atrapalha muito. Uma coisa é ter ritmo lento, outra é caminhar a passos de tartaruga só para alongar a metragem, como se isso fosse sinônimo de profundidade. Não é. Sem dizer que a aproximação hiper-realista e minimalista do novo filme vai contra a poética e existencialista do original. Mas pra mim nem foi isso que atrapalhou e sim a total ausência de emoção e empatia com os protagonistas (chegaram a recriar o personagem de Sean Young, a “replicante” Rachel, em computação gráfica, mas o resultado é simplesmente risível).

Verdade seja dita: esse era um projeto suicida desde o início, já que é impossível superar ou mesmo chegar aos pés de uma obra-prima como “Blade Runner” e, francamente, poderia ter resultado bem pior (mas quem não é no mínimo fã do original não vai entender absolutamente nada do que acontece neste filme). Mas deveriam ter evitado alguns erros e clichês primários e concentrado o foco em construir personagens mais humanos e ao menos ter tentado dar continuidade à paleta visual e estética do filme original. Esses tipos de falhas, na conjuntura atual, são imperdoáveis.

Cotação: * * 1/2

sábado, 30 de setembro de 2017

Série: "13 Reasons Why" (Os 13 Porquês)

GRITO DE ALERTA

Suicídio de adolescente expõe sociedade doente e desumana, em que as pessoas são apenas números e as relações se dão por interesses egoístas

- por André Lux, crítico-spam

A série “13 Reasons Why” (“Os 13 Porquês”) aborda de forma direta e realista um tema tabu em nossa sociedade: o suicídio. Trata-se de uma produção da cantora Selena Gomez inspirada no livro de Jay Asher e adaptado para as telas pelo dramaturgo Brian Yorkey. Narra as razões pelas quais Hanna Baker, uma adolescente de 17 anos, diz ter sido levada a tirar a própria vida. Gravadas em fitas cassetes antigas e enviadas postumamente, as mensagens responsabilizam os colegas de convívio pelo desfecho trágico.

A série provocou forte polêmica, com várias pessoas alegando que ela pode estimular ainda mais o suicídio, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) mata atualmente um milhão de pessoas por ano (uma a cada 40 segundos), o que equivale a 1,4% dos óbitos totais, sendo que cerca de 75% ocorrem em países de renda média e baixa (mais informações neste link). O principal motivo apontado pelos seus detratores é de que série teria “glamourizado” o suicídio, mostrando as fitas gravadas pela jovem como uma forma de se vingar daqueles que supostamente a teriam levado a tirar a própria vida, fator que pode provocar o chamado efeito Werther, termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo a novas ocorrências.

O psiquiatra Luís Fernando Tófoli, por exemplo, chegou a elaborar 13 parágrafos para alertar sobre os perigos da série. “O programa tem o potencial de causar danos a pessoas que estão emocionalmente fragilizadas e que poderão, sim, ser influenciadas negativamente. Não é absurdo inclusive considerar que, para algumas pessoas, a série possa induzir ao suicídio. Portanto, pessoas em situações de risco deveriam ser desencorajadas a assistir a série”, afirma o médico em seu artigo (leia a íntegra neste link).

Confesso que esse é um tema bastante delicado para qualquer pessoa que, como eu, sofre de Depressão e já teve pensamentos, tentativas de tirar a própria vida ou casos de suicídio entre familiares e amigos. Nesse sentido, “13 Reasons Why” não é um prato fácil de digerir, pois aborda a questão sem medo de colocar o dedo na ferida, elencando de forma bastante didática todos os acontecimentos trágicos que levaram a jovem Hanna a se matar.

Será que a série teria mesmo essa capacidade de estimular o suicídio? A resposta é complexa e, embora entenda perfeitamente os alertas feitos pelos especialistas, acho que ela pode também salvar vidas. O Centro de Valorização da Vida (CVV) relatou ter percebido um aumento de aproximadamente 100% no número de mensagens de texto e ligações de pessoas dispostas a conversar sobre o suicídio. De acordo com a instituição, muitos desses relatos mencionam a trama, que tem como fio condutor a morte de Hannah Baker (leia mais neste link).

Enfim, é uma faca de dois gumes. Se você aborda de forma direita um tema “proibido” desse tipo, corre o risco de estimular novos casos, mas se joga pra baixo do tapete, como faz a maioria das pessoas, certamente não vai ajudar em nada as pessoas que estão sofrendo e pensando em tirar a própria vida. Um dos principais motivos que leva alguém a cometer tal ato é certamente a sensação de isolamento e solidão, fatores que elevam à enésima potência os problemas que a levam tal estado e à Depressão. Ao assistir uma série como “13 Reasons Why”, essa pessoa pode entender que não está só, que não é a única a estar naquela situação sentindo o que sente, e isso pode amenizar sua dor e colocá-la em uma perspectiva menos desesperante.


Dificuldade de comunicação franca e aberta leva a tragédias
Sobre a série em si, que é uma obra de ficção, posso dizer que é muito bem feita e prende a atenção do começo ao fim, embora estique algumas situações além da conta para aumentar o tempo de duração. Não acho que glamourize o suicídio, pelo contrário, penso que mostra com riqueza de detalhes as angústias, pressões e abusos sofridos pelos adolescentes, principalmente dentro da cultura estadunidense, onde a maior ofensa é ser chamado de “perdedor” (looser), cultura essa que já foi exportada com sucesso para grande parte do mundo, especialmente o Brasil.

No final das contas, trata-se de um pertinente grito de alerta em uma sociedade cada dia mais doente e desumana, em que as pessoas são vistas apenas como números ou estatísticas e as relações se dão cada vez mais apenas por valores egoístas e de interesse. A imensa dificuldade de comunicação franca e aberta entre as pessoas, especialmente entre pais e filhos, também é um dos fatores apontados pela série como desencadeadores de mal entendidos que levam a tragédias.

As perguntas que mais se escutam ditas por familiares e amigos de pessoas que se mataram é: “Por que ela fez isso? Por que ninguém percebeu os sinais?”. “13 Reaons Why” dá uma pista das respostas e, acreditem, os sinais são muito fáceis de serem percebidos, porém poucos tem a empatia e o interesse necessários para enxergá-los, muito menos para dar a mão a quem precisa de ajuda. Depois não adianta chorar. Afinal, como diz a chamada da série, “se você está ouvindo isso, já é tarde demais”...

Cotação: * * * *

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Filmes: "IT - A Coisa"

NÃO É UMA OBRA-PRIMA DO MEDO

Apesar de bem feito, filme acaba sendo episódico e repetitivo

- por André Lux, crítico-spam

Essa é a segunda adaptação para as telas do livro gigantesco (mais de mil páginas!) “IT – A Coisa” que Stephen King escreveu em 1986, segundo dizem no auge do seu vício em cocaína. A primeira foi uma minissérie de 6 horas de duração, dividia em dois capítulos e cujo subtítulo era o ridículo "Uma Obra-Prima do Medo". Na época fez sucesso, mas analisada hoje percebe-se que era bem ruim, especialmente a segunda parte com os adultos.

Chega agora uma nova versão para os cinemas, mais bem produzida e que se fixa apenas nas crianças e suas desventuras. Todavia é bom alertar que o filme não tem uma conclusão e mostra só no início dos créditos finais ser o “Capítulo I”, algo que não me parece muito honesto de ser feito, já que omite do espectador que trata-se apenas da primeira parte de um filme duplo, cuja explicação e resolução só vão surgir no “Capítulo II”.

Enfim, enganações à parte, o novo “IT – A Coisa” é certamente muito melhor que a minissérie, mais bem produzido e atuado, porém ainda assim fica num meio termo e a melhor cena é a que já havia sido mostrada no trailer, a do menino e o palhaço no bueiro. As razões são várias, a começar pela dificuldade em se adaptar as obras de King para o cinema, já que seus livros são muito mais calcados nos medos interiores dos personagens do que em cenas de terror meramente visuais.

Segundo porque não é muito bem conduzido e acaba sendo episódico. às vezes parece que estamos vendo dois filmes diferentes. Um sobre o despertar dos jovens para a adolescência e outro de puro terror. Muitas vezes a narrativa pula de um tema para o outro sem muita lógica. Há também um excesso de piadinhas disparadas por um dos garotos (o ator é o protagonista de “Stranger Things”) que simplesmente não funcionam na maior parte das vezes, ainda mais naquele contexto de terror e violência.

Outro problema é justamente a semelhança da obra com tantas outras, desde “Conta Comigo” do próprio King, até as atuais “Super 8” e “Stranger Things”, que são obviamente inspiradas em “IT”. No final acaba sendo uma espécie de “Goonies” versus “Freddie Krugger” com pitadas de “Poltergeist”, mas com defeitos na estrutura que prejudicam o resultado final. 


O maior deles é que nunca ficam claros quais os limites e alcances dos poderes da entidade maligna que persegue os habitantes da pequena cidade, o qual se manifesta na maior parte das vezes como o palhaço Pennywise, feito por Bill Skarsgård destacando apenas a faceta assustadora dele, bem diferente da atuação de Tim Curry na minissérie para a TV. 


Tim Curry e Bill Skarsgård como Pennywise
Em algumas cenas, como a do bueiro, ele primeiro parece ter que seduzir a criança para ir até ele e então a ataca ferozmente, enquanto em outras ele parte direto pra cima, mas deixa as vítimas escaparem sem lógica. E em outra sequência ele atrai um dos meninos para a casa abandonada, o aterroriza na forma de um mendigo infestado por doenças para depois aparecer como o palhaço e ficar só olhando pra ele sinistramente enquanto segura balões. No fim, ele parece inclusive dominar a mente das pessoas, obrigando-as a fazer maldades, algo que parece ser recorrente no livro.

Enfim, não é essa obra-prima do medo que muitos críticos histéricos estão apontando, mas também não chega a ser ruim. Não consegue fugir de alguns clichês mofados do gênero (como a mocinha em perigo, algo que não existe no livro) e acaba apenas sendo um pouco longo, repetitivo e falha em não ser capaz de explicar de forma clara as regras daquele mundo, algo que é essencial para gerar suspense a partir da empatia com os protagonistas.

Cotação:
* * *

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Filmes: "Planeta dos Macacos: A Guerra"

MACACO REDUNDANTE

César, certamente um dos protagonistas mais interessantes dos tempos atuais, merecia mais em sua despedida.

- por André Lux, crítico-spam

Depois de um início titubeante com “A Origem” e de um segundo capitulo excelente, “O Confronto”, o “reboot” da franquia “Planeta dos Macacos” termina de forma decepcionante com “A Guerra”. É verdade que seria mesmo muito difícil superar o filme anterior, uma das melhores e mais surpreendentes super-produções do cinema comercial estadunidense, mas bem que poderiam ter tentado criar um roteiro melhor elaborado e impactante. 

Infelizmente apostaram em reciclar as idéias e situações de “O Confronto”, como se todo o arco vivido pelo macaco César não tivesse acontecido, pecado mortal de muitas continuações feita em Hollywood. Por causa disso, “Planeta dos Macacos: A Guerra” acaba se tornando redundante, já que o protagonista tem que reviver praticamente os mesmo confrontos e dilemas morais do filme anterior, o que deixa narrativa frouxa e arrastada, principalmente no segundo ato quando vira filme de prisão, com direito a várias cenas de tortura e sofrimento.

Há também um excesso de citações ao cristianismo e a outros filmes como o “Planeta dos Macacos” original de 1968, “Apocalipse Now” e “A Ponte do Rio Kway” que, embora sejam divertidas para os cinéfilos, pouco acrescentam ao resultado final, sendo que algumas até atrapalham. É o caso do Coronel obcecado em aniquilar os macacos, numa citação direita ao personagem vivido por Marlon Brando no filme de Coppola, mas que não funciona e por vezes beira o ridículo. Primeiro porque Woody Harrelson não tem o peso necessário para o papel, sendo mais adequado para comédias, e segundo porque o personagem é mal desenvolvido e suas motivações soam forçadas e inconvincentes, ainda mais da forma que são apresentadas em longos discursos expositivos proferidos por ele para César.

A falta de humanos interessantes no filme, defeito que já existia no segundo capítulo em menor escala, também prejudica a narrativa, pois impede que seja criado o conflito necessário para gerar suspense ou empatia. Aqui todos são soldados malvados, caricaturas unidimensionais do que existe de pior na raça humana. Teria sido bem melhor se os personagens do filme anterior tivessem sido reaproveitados, o que certamente aumentaria o interesse. A única pessoa que desperta certa compaixão é uma menina muda que os macacos encontram e adotam, mas o final é outro personagem que não acrescenta nada. A melhor coisa acaba sendo o “Macaco Mau”, feito pelo comediante Steve Zahn, que ao menos traz algum humor e leveza a um filme por demais pesado e sério. 

O impressionante Maurice e sua humana adotiva
O filme desanda de vez no ato final, quando uma série de “deus ex machina” são usados para movimentar a trama e salvar os macacos das ameaças, algo que demonstra o quanto os realizadores estavam perdidos na tentativa de encerrar a trilogia. A cena derradeira então não tem qualquer impacto e falha em passar emoções.

Meu texto pode dar a impressão que o filme é ruim, desagradável. Não é. Ainda tem muitas qualidades, a começar pelos efeitos visuais que deram vida aos símios que são simplesmente impressionantes, particularmente o orangotango Maurice. A música de Michael Giacchino continua muito boa, em especial quando usa percussão, e a fotografia do consagrado Michael Seresin mantém a mesma qualidade do filme anterior. É uma pena que não conseguiram bolar um roteiro mais inteligente e original que ao menos não virasse uma cópia do segundo filme. O macaco César, certamente um dos protagonistas mais interessantes dos tempos atuais, merecia mais em sua despedida.

Cotação: * * *

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Filmes: "Dunkirk"

PASTEL DE VENTO COM BRITADEIRA

Christopher Nolan tenta dar uma de Terrence Malick e falha fragorosamente

- por André Lux, crítico-spam


Quem acompanha minhas críticas já sabe que não sou um dos admiradores incondicionais do diretor Christopher Nolan. Dele só gostei mesmo de “Amnésia” e dos dois primeiros “Batman”, mesmo assim com sérias restrições. Acho ele pretensioso demais e dono de uma mão pesada que deixam seus filmes sutis como um elefante correndo numa loja de cristais. E esse “Dunkirk” não foge à regra.

Aqui Nolan pretende dar uma de Terrence Malick, o recluso cineasta estadunidense que fez jóias como “Além da Linha Vermelha” e “Days of Heaven”, ao contar a trágica história do cerco da cidade francesa de Dunkirk durante a segunda guerra mundial, quando soldados franceses, belgas e ingleses ficaram presos à beira da praia, cercados pelos nazistas enquanto esperavam algum tipo de resgate. Ou seja, ao invés de optar por uma maneira mais trivial, Nolan tenta produzir uma experiência cinematográfica basicamente sensorial, com um mínimo de diálogos e contando quase sempre com imagens, atuações do elenco, som e música para captar os horrores da guerra. E, verdade seja dita, falha fragorosamente.

Primeiro porque Nolan não é Malick e, portanto, não chega nem perto do domínio técnico dele para captar imagens impressionantes do ponto de vista estético. Embora não seja ruim, a fotografia do filme é medíocre e não traz nada de novo ao gênero, cujo ápice certamente foi atingido por Spielberg no claudicante, porém tecnicamente brilhante, “O Resgate do Soldado Ryan”, cuja cena de batalha na abertura é inigualável até hoje. 

Segundo porque Nolan é um diretor de atores fraco. Basta ver como ficam todos parecendo zumbis, sempre com a mesma expressão catatônica, ao ponto da gente nem conseguir distinguir direito um personagem do outro. Sei que estavam todos esgotados física e mentalmente, porém não é por isso que deixariam de expressar emoções, que aqui ficam longe de serem registradas.

E terceiro e mais gritante, claro, é a trilha musical composta pelo abominável Hans Zimmer, que certamente é uma das coisas mais bisonhas que ele já pariu em sua já longa e pavorosa carreira. Basicamente, ele colocou para tocar o tema do Coringa do segundo “Batman” durante toda a projeção. Para quem não sabe, em “O Cavaleiro das Trevas” Zimmer criou um tema para o Coringa que é de um simplismo de dar dó: nada mais do que um zumbido de uma nota só tocada pelo cello, sampleado e acompanhado por guinchos de guitarra e sons que se assemelham a alguém jogando um gato em cima do sintetizador. Esse zumbido insuportável é, de vez em quando, entrecortado por um som semelhante ao tic-tac de um relógio, como se fosse para dar uma sensação de urgência que até poderia ser interessante ou mesmo original caso Ennio Morricone já não tivesse usado esse efeito com maestria em 1973 no filme “Meu Nome é Ninguém”. Quando precisa tentar dar alguma emoção ao filme, Zimmer entra com um tema sintético bombástico que soa como algo que Vangelis poderia ter produzido caso estivesse no meio de uma grave crise intestinal. Enfim, um desastre dantesco que literalmente implode o filme de quaisquer pretensões que tenta atingir (basta ver “Além da Linha Vermelha”, cuja temática é semelhante, para perceber que até um picareta como Zimmer consegue dar seu melhor sob o comando de um verdadeiro cineasta, no caso Terrence Malick).

Zimmer: imortalizando a máxima "nada se cria, tudo se copia"

Não bastasse tudo isso, a montagem também não convence, deixando o filme arrastado e difícil de seguir (as cenas de perseguições entre os aviões são inacreditavelmente desconjuntadas e tediosas). Em alguns momentos falhas gritantes de continuidade saltam aos olhos, como na cena em que o oficial feito por Kenneth Branagh olha para um avião com o sol brilhando forte atrás dele, mas no corte seguinte o mesmo avião passa sob um céu completamente nublado. Ou quando um navio tomba e bate no cais esmagando soldados, mas na sequência aparece há mais de 20 metros do mesmo local.

O roteiro, escrito apenas por Nolan (geralmente seu irmão participa), é pífio e divide a ação em três situações e tempos narrativos que servem apenas para deixar o filme confuso. E o diretor erra também ao pular de um ponto para outro nos momentos de maior tensão, acabando com qualquer tentativa de criar suspense. Os diálogos são muito ruins, empolados e artificiais e muitas vezes repletos de pseudo-profundidade que soam ainda mais ridículos vindos de garotos à beira da morte.

Assim como “Interestelar”, esse é mais um pastel de vento produzido por um cineasta apaixonado pelo próprio umbigo, mas que desta vez inovou nos forçando a ingerir tal iguaria sonsa ao som de algo que parece ser uma britadeira (é sério, em alguns momentos eu achei que estavam fazendo alguma obra fora do cinema, cortesia do sr. Zimmer). Os trágicos eventos de Dunkirk estão muito melhor registrados no maravilhoso “Desejo e Reparação” em uma cena breve, porém de impacto emocional arrebatador, algo que esse filme metido a besta passou longe de atingir. Mas muito longe.

Cotação: * 1/2

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

COMO ERA O BRASIL ANTES DO PT?

Quem não lembra ou não viveu no Brasil antes do PT chegar ao poder deve se perguntar: Como eram as coisas por aqui naquela época? Era assim:

1) Presidente corrupto comprando descaradamente deputados e senadores para votar a favor de projetos que vão ferrar com a vida da maioria das pessoas;

2) Mídia denunciando de vez em quando algum politico para lembrar quem é que manda de verdade ou para fritar alguém que caiu em desgraça com os donos da grana;

3) Corrupção comendo solta e a céu aberto enquanto a polícia e a justiça perseguem ladrões de galinha;

4) Povo vendo tudo anestesiado e no máximo resmungando para os amigos e parentes (agora também no facebook e o whatsapp).

Os midiotas não foram pra rua bater penela com a camisa da CBF para ter "seu país de volta"? Taí ele de volta pra vocês. Gostaram?




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