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SEJA UM PADRINHO DO TUDO EM CIMA!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada ...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

SEJA UM PADRINHO DO TUDO EM CIMA!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada e como hobby, porém devido à situação dramática que o país se encontra depois que a direita destruiu a economia para derrubar o PT, vender o país aos gringos e destruir os direitos dos trabalhadores, estou passando por necessidades! 

Peço a ajuda de vocês, leitores, que gostam do Tudo Em Cima e das minhas análises. Para isso, basta você clicar no botão abaixo e ir para o site Padrim, onde poderá escolher a melhor forma de "apadrinhar" o meu blog. Pode ser pagamento via boleto ou no cartão de crédito, nos valores que desejar. 
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Filmes: "The Wizard of Lies"

RETRATO DE UM PSICOPATA

Filme mostra como o mundo dos negócios e o capitalismo neoliberal são perfeitos para que predadores deitem e rolem

- por André Lux, crítico-spam

“The Wizard of Lies” (O Mago das Mentiras, em português) é um filme produzido pelo canal HBO sobre a vida de Bernie Madoff, um dos papas da bolsa de valores estadunidenses que na verdade era um grande enganador o qual construiu um esquema fraudulento de investimentos que no final arruinou a vida de milhares de pessoas.

Dirigido pelo veterano Barry Levinson (de “Sleepers”) e com Robert De Niro no papel do protagonista, o filme é baseado no livro da jornalista Diana B. Henriques que entrevistou Madoff na prisão. Mais do que o retrato de um psicopata, “The Wizard of Lies” mostra como o mundo dos negócios e, em última instância, o sistema capitalista neoliberal são perfeitos para que esse tipo de predador humano deite e role sobre a vida de milhões de pessoas sem qualquer tipo de controle. Em uma das cenas mais marcantes da obra, um dos filhos de Madoff é questionado pela agente do FBI como não poderia saber das fraudes perpetradas pelo pai, ao que ele responde: “Se vocês que deveriam saber de tudo, vigiar tudo, não sabiam, como é que eu ia saber?”.

O filme nem tenta fazer entender os motivos que levaram Madoff a fazer o que fez, até porque fica claro que ele realmente não tinha motivo algum, exceto aquela máxima: “Fiz porque podia”. De Niro tem uma atuação contida e que muito revela sobre a verdadeira natureza do personagem, que praticamente nunca muda de expressão nem demonstra qualquer tipo de empatia, compaixão ou remorso por suas vitimas, nem mesmo pela família que é destruída por suas ações – um dos filhos acaba de suicidando, o outro morre de câncer alguns anos depois e a esposa (Michelle Pfeifer) vive de favor da casa da irmã, na Flórida. Chega a afirmar que é mais feliz vivendo na prisão.

O único momento em que ele tem algum tipo de reação é quando fica indignado ao ser comparado em um grande jornal com Ted Bundy, um serial killer que matava e colecionava a cabeça de suas vítimas. “Como podem me comparar a esse sujeito? Você acha que eu sou um sociopata?”, questiona na cena final à jornalista. Basta olhar as fotos do verdadeiro Madoff e reparar na expressão de tubarão em seus olhos para saber a resposta.


Madoff e o olhar do tubarão neoliberal
O que nos faz perguntar: quantos Bernie Madoff estão por aí, à solta, no mundo dos negócios, na política e nas grandes corporações, tomando decisões por todos nós e empurrando a raça humana cada vez mais rumo ao abismo? Melhor nem pensar nisso, é assustador demais...

Cotação: * * *

domingo, 4 de junho de 2017

Filmes: "Mulher-Maravilha"

MAIS UM TIRO NO PÉ DA DC

O melhor é não passar nem perto dessa besteira, principalmente as crianças que deveriam ser o público alvo do gênero


- por André Lux, crítico-spam

A DC bem que tentou, mas ainda não foi desta vez que conseguiu produzir um filme baseado nos seus super-heróis em quadrinhos que consiga limpar a imagem péssima que conquistou com os anteriores, principalmente “Homem de Aço” e “Batman versus Superman”, dois dos filmes mais grotescos já lançados até hoje no gênero.

Obviamente os executivos da Warner leram a enxurrada de críticas dos fãs que, em sua grande maioria, abominaram as adaptações mais recentes e tentaram a todo custo elevar o nível nesse “Mulher-Maravilha”. Para isso, contrataram uma mulher para dirigir o filme, Patty Jenkins (de “Monstro”), e criaram um roteiro que é quase uma cópia carbono do primeiro “Capitão América”, tanto em termos de estrutura, quanto de motivações e até vilões (os alemães). Copiaram também o esquema de "peixe fora da água" e as tentativas de humor do primeiro "Thor". Mas não deu muito certo, embora seja realmente um pouco melhor que os outros da DC, o que não chega a ser um grande elogio dada a ruindade daqueles filmes.

“Mulher-Maravilha” começa mostrando ela ainda criança na ilha das amazonas querendo de qualquer jeito aprender a lutar com a tia Antíope (Robin Wright, desperdiçada), enquanto sua mãe a rainha faz de tudo para impedir. Só que essa atitude da mãe não tem qualquer lógica, afinal ela é uma deusa e seria muito mais razoável treiná-la desde cedo para enfrentar seu destino, já que ela foi criada para ser a última defesa contra o deus-vilão Áres, cuja identidade secreta fica óbvia desde o primeiro momento para qualquer um que já tenha visto esse tipo de filme mais de uma vez na vida. Enfim, essa sub-trama é uma perda de tempo de projeção, já que ela é treinada de qualquer jeito até crescer. Aí começa o segundo grande problema do filme, já que a protagonista passa a ser interpretada por Gal Gadot, uma dessas mulheres-palito que fazem a cabeça dos estilistas de moda atualmente. A moça, que foi "revelada" num desses "Velozes e Furiosos", é uma atriz muito limitada, o que fica evidente quando tenta demonstrar alguma emoção.

A terceira e maior falha é algo que infesta muitos filmes de super-heróis atualmente: a gente nunca fica sabendo quais são os poderes da “Mulher-Maravilha” ou suas limitações. Assim, do nada ela se transforma de uma garota que é facilmente derrubada pela tia a uma guerreira praticamente invencível, capaz até de pular mais que uma pulga superdesenvolvida e resistir a impactos brutais contra rochas e estruturas de ferro - mas aparentemente não a balas, já que é quase morta em várias cenas em que atiram contra ela. Não adianta dizer que é assim porque ela não sabia que tinha poderes, pois nunca é sinalizado que ela precisa desenvolver tais poderes. Ela os tem e pronto, começa a usar do nada, como se já soubesse que os tinha quando assim exige o roteiro. Isso tira qualquer suspense, já que não existem regras definidas, ou seja, vale tudo. Basta assistir ao maravilhoso “Superman – O Filme”, de 1978, para entender como se deve apresentar de forma adequada e muito simples os poderes e limites de um super-herói.

O coitado do Chris Pine (o Kirk dos novos “Star Trek” e que está em tudo quanto é filme) fica com a ingrata tarefa de ser um mero “homem-exposição”, já que seu personagem serve apenas para ficar explicando forçadamente a trama para a protagonista e, claro, para a plateia. Tentam um romance entre os dois, porém eles não demonstram qualquer química e o personagem de Pine é vazio demais até para gerar empatia, o que seria imperioso para que a catarse final funcionasse. O resto do elenco é fraco, com destaque negativo para o péssimo Danny Huston, eterno canastrão especialista em vilões e que foi o Striker no fraco “X-Men Origens: Wolverine”. 


Mulher-Maravilha ou Mulher-Palito?
A fotografia é escura, esmaecida (embora um pouco mais colorida que os filmes do Superman) e o desenho de produção é carnavalesco, principalmente na ilha das amazonas. A trilha musical é composta por um dos incontáveis discípulos do abominável Hans Zimmer, no caso um tal de Rupert Gregson-Williams (mas podia ser qualquer outro), e é aquela coisa horrorosa de sempre: bombástica, ensurdecedora, opressiva e sem qualquer tipo de nuance ou desenvolvimento temático – e ainda somos obrigados a ouvir o tema que Zimmer inventou para a “Mulher Maravilha” no famigerado “Batman versus Superman” que, como afirmei na minha análise daquele filme, ficaria bem para acompanhar as aventuras do “Chapolin Colorado”, de tão ridículo.

No final chegam ao cúmulo de mostrar a protagonista assassinando a sangue-frio uma pessoa desarmada, igual ao que fez o Superman em “Homem de Aço”, o que é um exemplo tenebroso para qualquer criança em mais um tiro no pé que só pode ser atribuído ao lamentável Zack Snyder, que aqui assina apenas como criador da estória e produtor. E mais uma vez somos atormentados por uma daquelas lutas entre dois seres supostamente imortais que, entre tapas e socos, soltam raios e causam explosões capazes de provocar um ataque epiléptico nos mais sensíveis.

Incrivelmente o filme vem recebendo ótimas críticas mundo afora, o que apenas demonstra delírio coletivo dos profissionais da opinião ou então uma vontade muito grande de acreditar que a DC conseguiu finalmente fazer um filme divertido como os da Marvel, o que não é nem de longe uma verdade. Alguns estão enxergando no filme um tratado feminista, mas sinceramente isso não faz sentido porque o fato dela ser mulher pouca importância tem à trama (até porque não passa de um Capitão América de saias) e nem mesmo a sociedade das amazonas é explorada a contento (deviam ser todas lésbicas já que não existiam homens por lá, não?).

Resumindo, é mais do mesmo e o melhor é simplesmente não passar nem perto de mais essa besteira, principalmente as crianças que deveriam ser o público alvo do gênero.

Cotação: *1/2

sábado, 3 de junho de 2017

Filmes: "Machuca"

TRÁGICO E DOLOROSO

Assista este filme para entender porque, afinal, ninguém tem coragem de se assumir como sendo de “direita” na América Latina...

- por André Lux, crítico-spam

Você já se perguntou por que ninguém tem coragem de admitir que seja de “direita” na América do Sul? Assista “Machuca” e vai saber a resposta. Este filme chileno do diretor Andrés Wood se passa durante os últimos meses do governo socialista de Salvador Allende, quando o padre que dirige uma escola para crianças da classe média alta implanta uma política do governo que reserva vagas para alunos oriundos das classes pobres.

Um desses meninos é justamente o Machuca do título, que acaba ficando amigo de Gonzalo, um filho das “elites” e provável alter-ego do próprio cineasta (o filme termina com uma frase em homenagem a um padre real, que obviamente deve ter semelhanças com o personagem de "Machuca").

A amizade dos dois representa o abismo que existe entre as classes sociais, o qual fica escancarado quando um vai visitar a casa do outro. Gonzalo, que mora numa bela residência, tem um pai boa praça, porém ausente e alienado, enquanto sua mãe é a personificação da “dondoca” suburbana fútil e louca por dinheiro (ao ponto de ser amante de um político rico do qual recebe vários “presentes” chiques). A irmã do menino namora uma boçal violento e agressivo que faz parte do “Comando de Caça a Comunistas” chileno.

Já Machuca mora numa favela com a mãe, a irmã e um tio. Seu pai é um bêbado que aparece só para arrancar dinheiro da mãe e dar porrada nos filhos. Só por curiosidade, li um profissional da opinião dizendo que o filme “falha” ao mostrar a pobreza de forma idílica! Concordo com ele, afinal quem é que não sonha em morar num barraco feito de tábuas e lonas enquanto recebe uns sopapos do pai bêbado e cafetão dia sim, dia não?

Enfim, dessa improvável amizade acompanhamos os dois meninos passando por várias situações que servem para reforçar o caos político promovido pelos golpistas que se abatia sobre o país. O tio de Machuca ganha a vida vendendo bandeiras dos partidos de direita e de esquerda nas várias passeatas contra e a favor do governo. E leva os garotos juntos, que ignorantes do que se passava, saiam alegremente repetindo os jargões dos manifestantes, seja de qual tendência eram representantes.

Mas as coisas começam a mudar para Gonzalo quando encontra o namorado truculento da irmã e a própria mãe numa das passeatas, durante a qual a irmã de Machuca é humilhada e agredida por fazer parte da “ralé”. Em outra cena emblemática e muito triste, os pais da high society protestam numa reunião do colégio contra a presença das crianças pobres que, nas palavras deles, não devem se misturar com seus filhos. Uma das mães pobres faz então um tocante discurso sobre a trágica história de toda sua família, só para ser acusada por uma dondoca de “ressentida, rancorosa, volte para o lugar de onde veio!”.

Não quero revelar mais da trama, mas basta dizer que o filme segue o ritmo dos golpistas até a sangrenta derrubada do governo socialista pelos milicos do general Pinochet, que lançaram sobre o Chile a mais brutal e selvagem ditadura da América Latina. Ditadura que foi notável também por ter sido o primeiro regime a implantar - sobre o cadáver de milhares de cidadãos que ousaram lutar por um mundo mais justo e menos desigual - a nefasta ideologia neoliberal, que hoje colocou o mundo de joelhos.

Nem preciso dizer que o final de “Machuca” será terrivelmente trágico e doloroso. E basta assisti-lo para entender porque, afinal, ninguém tem coragem de se assumir como sendo de “direita” por essas bandas...

Cotação: * * * *

Filmes: "Brazil - O Filme"

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FUTURO DO PRETÉRITO

Alegoria ácida sobre a perda da humanidade numa sociedade totalitária e consumista, mistura "1984" e "O Processo" com toques do Monty Python. 

- Por André Lux, crítico-spam

Lá pelo final de 1985, os executivos da Universal Pictures, preocupados com o possível fracasso de um filme que produziram e estavam para distribuir nos EUA, marcaram uma reunião urgente com o seu realizador durante a qual pediram pouca coisa: que ele reduzisse a metragem, trocasse a trilha sonora orquestral por outra com canções pop e, especialmente, mudasse a conclusão amarga para um típico happy end hollywoodiano, do tipo "o amor vence tudo". 

Essas mudanças iriam, na opinião deles, tornar o filme muito mais comercial, garantindo seu sucesso. O cineasta explicou então, na sua característica maneira pouco ponderada, que o filme deveria ficar do jeito que havia sido idealizado, caso contrário ele iria botar fogo nos negativos!

A cena narrada acima pode parecer o delírio de algum comediante, mas ela aconteceu de verdade - infelizmente. O filme em questão chama-se "Brazil", e o diretor, Terry Gilliam. 

Insatisfeitos com o resultado final do terceiro longa-metragem do ex-integrante do grupo Monty Python, o qual consideraram pesado e amargo demais para os padrões aceitos pelo público dos EUA, os executivos da Universal decidiram que "Brazil" deveria ser reeditado e transformado em um filme mais "aventuresco" e "leve". 

Dos originais 142 minutos de projeção, que foram lançados pela Fox sem problemas na Europa e em outras partes do mundo (como o Brasil), Gilliam concordou em reduzir o filme em cerca de 20 minutos. Mas não foi o suficiente.

A Universal era liderada na época pelo infame Sid Sheinberg que, entre outros absurdos, foi o responsável direto pela destruição de "A Lenda", de Ridley Scott (que deixou o estúdio retalhar e mudar a trilha musical de seu filme) e pela aprovação do lamentável "Howard, O Pato", de George Lucas. Sheinberg, a exemplo do que acontece ao protagonista do próprio filme de Gilliam, tornou-se o "torturador particular" do cineasta, cercando-o de todas as formas possíveis (inclusive legais) para poder retirar o projeto das mãos dele a fim de torná-lo "mais comercial".

Versões e (in)Versões
Essa feroz batalha entre o artista e os engravatados da Universal (em mais uma reedição do clássico embate entre David e Golias) é uma das mais famosas e ilustrativas acerca de como funciona o sistema de produção em série da indústria cultural estadunidense. 

E ela está descrita, com riqueza de detalhes, ilustrações e depoimentos de todos os envolvidos, no excelente livro "The Battle of Brazil", de Jack Mathews, jornalista de Los Angeles que cobria a produção do filme na época. Mathews transformou seu livro em um documentário de uma hora de duração, que pode ser assistido no box de "Brazil", lançado pela The Criterion Collection na região 1, que traz nada menos do que três discos.

No primeiro disco, temos a versão de Terry Gilliam para o filme, com seus gloriosos 142 minutos de projeção, remasterizado digitalmente no formato widescreen 1.85:1, trazendo ainda uma faixa de áudio com comentários do diretor. No segundo, chamado de "The Production Notebook", encontramos vários making of, entrevistas com os roteiristas Tom Stoppard e Charles McKeown, com o compositor Michael Kamen (que utiliza na trilha de forma magistral trechos de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso), storyboards, cenas raras da produção dos efeitos especiais, além é claro do excepcional documentário "The Battle of Brazil".

O material mais curioso, todavia, está contido no terceiro disco: nada mais do que a infame versão "Love Conquers All" ('O Amor Vence Tudo) de "Brazil", montada à revelia do diretor, trazendo meros 94 minutos de projeção e um ridículo happy end, que simplesmente detonam a obra em questão deixando-a totalmente sem sentido. 

Pior que essa grotesca (in)versão foi exibida nas televisões dos EUA, por anos a fio. Existe ainda um canal de áudio onde David Morgan, expert em Terry Gilliam, faz uma análise extremamente crítica de todas as alterações feitas.

Orwell encontra Kafka no circo do Monty Python
Quanto ao filme, trata-se de uma alegoria extremamente ácida e anárquica sobre a perda da humanidade frente a uma sociedade totalitária e cada vez mais repleta de burocracia e obcecada pelo consumismo. Trata-se de uma mistura de "1984", de George Orwell, com ''O Processo'', de Kafka, com toques do humor bizarro e non-sense próprios do sexteto inglês do qual Gilliam fazia parte, o Monty Python.

Além disso, o filme é premonitório do futuro catastrófico imposto ao mundo caso a doutrina neoliberal, que na época ainda estava em processo de implantação, fosse levada às últimas conseqüências. 

Reparem como o Estado retratado no filme é o sonho de qualquer defensor do neoliberalismo: enxuto, isento de qualquer responsabilidade social e praticamente restrito ao aparato policial de vigilância e repressão constante às classes mais baixas, mantido graças a um clima de medo e paranóia constante propagado pela mídia e por supostos ataques de "terroristas".

O protagonista dessa epopéia, interpretado brilhantemente por Jonathan Price, é Sam Lowry, um funcionário público apático e conformista, que passa acidentalmente a lutar contra o sistema depois que descobre que a mulher de seus sonhos existe e está marcada para morrer. 

É a típica trama do anti-herói forçado a agir, mesmo contra sua vontade, para conquistar seus desejos. Na sua aventura, ele conta ainda com a ajuda do engenheiro-de-calefação-autônomo e dublê-de-terrorista, Harry Tuttle (na pele de um Robert De Niro praticamente irreconhecível).

Só que catarse e redenção são palavras que não fazem parte do dicionário de Terry Gilliam, como Lowry vai descobrir dolorosamente no final. E a melhor explicação para essa filosofia de vida vem do próprio diretor: "Nós não damos respostas, apenas apontamos para o óbvio que ninguém quer ver, de um modo engraçado. E quando as pessoas pegam-se rindo daquilo, esperamos que elas pensem: 'Ei, eu não deveria estar rindo, isso é horrível!'".

Sobre o motivo do filme se chamar "Brazil", Gilliam explica: "Port Talbot é uma cidade de ferro, onde tudo é coberto por um pó cinza de metal. Até a praia é completamente coberta de pó preto. O sol estava se pondo e era realmente bonito. O contraste era extraordinário. Eu tinha essa imagem de um cara sentado nessa praia moribunda com um rádio portátil, sintonizando estranhas canções escapistas latinas como [Aquarela do] Brasil. A música o transportou de alguma forma e fez o seu mundo menos cinza".

Quanto ao desfecho da "Batalha por Brazil", o vencedor foi, em última instância, o nosso "David" da sétima arte, que passou a usar táticas de guerrilha para promover o lançamento de seu filme intacto, tais como patrocinar exibições piratas para estudantes e críticos de cinema, bem como tornar público o martírio pelo qual estava sendo obrigado a passar pela Universal - Gilliam chegou a pagar um anúncio de página inteira no jornal Variety com a seguinte mensagem: "Querido Sid Sheinberg. Quando você vai lançar meu filme 'Brazil'?". Em um outro momento, Gilliam mostrou uma foto do executivo em um programa de entrevistas do qual participava, e soltou no ar, ao vivo: "Esse é o homem responsável pela minha dor".

Mas tamanha audácia provou-se válida, tanto que o filme ganhou os principais prêmios da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles (melhor Filme, Diretor e Roteiro) e acabou sendo lançado intacto (mas modestamente) nos cinemas dos EUA, dividindo público e crítica, fato que não incomodou em nada o cineasta. "Para algumas pessoas, meu filme foi o equivalente a um espancamento", diz Gilliam rindo. "Para outras, foi uma experiência maravilhosa. Perfeito. Eu não fiz o filme pensando em agradar alguém...". 

É certo que, depois desse evento notório e constrangedor, as políticas dos grandes estúdios, relativas a quem seria responsável pelo corte final dos filmes, nunca mais foram as mesmas.

Infelizmente, essa caixa com os três discos dificilmente será lançada no Brasil. Portanto, você precisará ter um bom dinheiro sobrando para colocar suas mãos nela. Mas, se tiver, certamente não vai se arrepender!

Por aqui, o filme foi lançada pela Fox (que detém os direitos de distribuição fora dos EUA) na versão normal sem cortes, mas desprovida de qualquer extra ou comentário (veja reprodução da capa à direita).

Cotaçâo: * * * * *
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Motorista, a que ponto chegamos?

Já pensou que louco você morar num país onde um ator de filmes pornográficos de quinta categoria atua também como conselheiro do ministro da Educação do governo Federal?



terça-feira, 23 de maio de 2017

BEM FEITO, REINALDO!


Não vou defender o grotesco Reinaldo Azevedo no caso do áudio vazado simplesmente porque não vejo ali relação de jornalista e fonte, mas sim troca de figurinhas entre comadre e compadre, entre patrão e empregado, Casagrande e Capitão do Mato, político e assessor de imprensa.

Agora dá pra entender porque ele mudou o tom nos últimos tempos e passou a criticar corretamente os abusos cometidos pelo judiciário, principalmente a patota da "República de Curitiba" sob o comando do "juiz" Sérgio Moro. Certamente já sabia que tinha sido pego em um dos grampos comprometedores e começou então a preparar sua defesa. Pura e simples auto-preservação travestida de defesa do Estado Democrático de Direito, o qual ele nunca defendeu quando os alvos eram do PT.



Sem dizer que Reinaldo nunca foi nem nunca será jornalista e sim um mero assassino de reputações que surfou no ódio contra o PT que ajudou a fomentar e que transformou o Brasil num estado praticamente nazista, do que qual ele agora se torna vítima.

Esse sujeito, cujo único feito na vida foi supostamente criar o termo "Petralha", merece sim receber um sonoro: BEM FEITO!

Estado Nazista: golpistas começam a ser atacados pelo monstro que ajudaram a criar


Grampo com Andrea Neves derruba Reinaldo Azevedo

247 - O jornalista Reinaldo Azevedo teve uma conversa com Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves, interceptada pela Polícia Federal, informa o portal BuzzFeed. O assunto tratado são as acusações contra Aécio contidas na delação da Odebrecht.

No diálogo, ele classificou uma reportagem da revista Veja, onde trabalha, como "nojenta". Ele se referia à edição que trouxe Aécio na capa, com o título "A vez de Aécio", que traz a acusação do empresário Alexandre Accioly, dono da academia Bodytech, de que emprestou uma conta em Cingapura para Aécio receber propina da Odebrecht.

"Aí aparece uma história maluca, que já tinha aparecido um mês atrás mais ou menos naquele site BuzzFeed, dessa conta do Accioly em Cingapura. Que era, em tese, o mesmo dinheiro da minha em Nova York, que é o tal dinheiro da [usina] Santo Antônio. É essa coisa mágica, que ninguém consegue explicar, porque que o Aécio poderia ganhar uma bolada desse tamanho numa obra que é do governo federal. [...]", comenta Andrea na conversa.

Reinaldo criticou também o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele dizia que o Janot atacava Aécio por supostas pretensões de se candidatar ao governo de Minas Gerais ou ao Senado.

Assim que a conversa foi divulgada, o colunista pediu demissão de Veja e disse que o grampo violou um dos pilares da democracia, que é o sigilo entre jornalistas e suas fontes.

"Há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo", escreveu.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco, né Reinaldo?
"A PF não considerou indícios de crimes na conversa realizada entre o jornalista e sua fonte, Andrea Neves. Mesmo assim, as gravações foram anexadas pela Procuradoria-Geral da República ao conjunto de áudios anexados ao inquérito que provocou o afastamento de Aécio e a prisão da irmã", diz a reportagem do BuzzFeed.

Leia aqui o diálogo gravado

segunda-feira, 22 de maio de 2017

JÁ DEU PARA ENTENDER POR QUE DERRUBARAM DILMA?


- do Brasil 247 

A pedagogia de um golpe. Essa poderia ser a narrativa dos últimos doze meses no Brasil.

Há pouco mais de um ano, quando o escritor português Miguel Sousa Tavares definiu a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como uma "assembleia de bandidos presidida por um bandido", muitos se recusavam a acreditar numa definição tão óbvia e tão precisa.

Foi preciso que os golpistas fossem caindo, um a um, para que a verdade viesse à tona.

O primeiro a tombar foi Eduardo Cunha, hoje condenado a mais de 15 anos de prisão, por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Pelas delações da JBS, já se sabe que Cunha recebeu propinas para sair comprando deputados – parlamentares que lhe foram fiéis na fatídica votação de 17 de abril de 2016.

Com sua bancada, alimentada por um mensalão particular, Cunha tentava extorquir o governo federal.

Dilma, na medida do possível, resistia.

A tal ponto que, já no seu primeiro mandato, trocou todos os diretores da Petrobras que acabaram presos em Curitiba, como Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada – este, homem de confiança do PMDB na área internacional da estatal. Nesta diretoria específica, ela reduziu em mais de 40% um contrato que renderia uma propina de US$ 40 milhões para o PMDB, segundo ficou acertado numa reunião presidida por Michel Temer (leia mais aqui).

Pelas delações da JBS, soube-se também que, em seu primeiro mandato, Dilma demitiu Wagner Rossi, que atuava como arrecadador de propinas para Temer (leia mais aqui), assim como demitiu outros notórios personagens da "turma do Michel", como Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima.

O caso Aécio

Ao seu modo, Dilma foi conseguindo conter o apetite criminal do PMDB, mal necessário para lhe garantir a governabilidade. O barco começou a virar quando Cunha, graças a sua bancada mensaleira, conseguiu se eleger presidente da Câmara dos Deputados, para, em seguida, se aliar ao senador (hoje afastado) Aécio Neves (PSDB-MG), um derrotado ressentido que, de repente, se viu sem nenhuma máquina política nas mãos, uma vez que perdera não só a presidência da República, como também o governo de Minas Gerais.

O casamento entre Cunha e Aécio era movido, agora se sabe, por propósitos puramente criminais. Andrea, a irmã de Aécio, chegou a oferecer a presidência da Vale ao empresário Joesley Batista por nada menos que R$ 40 milhões. Aécio era tão guloso em sua demanda financeira que Joesley chegou a pedir "pelo amor de Deus" para que ele parasse de pedir dinheiro (leia mais aqui).

E foi Aécio quem contratou Janaina Paschoal, por R$ 45 mil, para que ela fizesse o parecer das chamadas "pedaladas fiscais", que foi o pretexto para jogar o Brasil no precipício. Golpeada a democracia, o Brasil passou a ser governado, sem nenhum tipo de moderação, por uma verdadeira quadrilha. No governo federal, já há nove ministros investigados e, nos próximos dias, o próprio ocupante da presidência será investigado por corrupção, obstrução judicial e organização criminosa – fato inédito na história brasileira.

O responsável por essa tragédia, Aécio Neves, caiu em desgraça e até sua contratada Janaina Paschoal hoje pede sua prisão (leia aqui).

A luta permanente pela democracia

Mesmo golpeada por delinquentes, Dilma Rousseff se manteve de cabeça erguida. Rodou o mundo, denunciando o golpe, enquanto Temer, que usurpou sua presidência, não conseguiu colocar os pés na rua. Viveu trancado em palácios, protegido pelo silêncio de uma mídia decadente que, depois de apoiar o golpe militar de 1964, não se redimiu do passado e se associou ao golpe parlamentar de 2016.

Embora Temer esteja nos seus estertores, o golpe ainda não chegou ao fim – e não se sabe se, após a inevitável queda do presidente-golpista, o Brasil terá um reencontro com a democracia pela via das eleições diretas ou se haverá um pacto oligárquico que preserve o atual status quo, após o sacrifício de um usurpador que se tornou pesado demais para ser carregado.

Mas o Brasil ainda deve um pedido de desculpas a Dilma: a presidente que caiu porque tentou resistir à bandidagem que hoje governa o Brasil.

PS: E antes que se diga "ah, mas e os R$ 150 milhões no exterior da JBS para Lula e Dilma", a própria Globo já se retratou (leia mais aqui).

domingo, 21 de maio de 2017

Filmes: "Rei Arthur - A Lenda da Espada"

INSUPORTÁVEL

Tudo é tão mal feito, escuro e histérico que fica impossível até entender o que se passa na tela

- por André Lux, crítico-spam

Fazia tempo que não via um filme tão insuportável quanto esse “Rei Arthur - A Lenda da Espada”. Não bastasse ser mais uma adaptação da batida lenda dos cavaleiros da Távola Redonda, é todo picotado e frenético na edição, ao ponto se tornar inteligível em várias sequências. Acaba parecendo mais uma mera colagem das cut scenes de videogames, aquelas cenas que interligam uma fase do jogo à outra onde você não pode interagir.

Claro que a culpa maior disso é do diretor Guy Ritchie que chamou a atenção em 1998 com o interessante “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, mas depois apenas se repetiu ou lançou porcarias indefensáveis como os dois “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr. Se o estilo frenético do cineasta já não combinava com as aventuras do detetive da era vitoriana, fica ainda mais ridículo aqui, onde a ação se passa numa época medieval mítica.

“Rei Arthur - A Lenda da Espada” tenta ser uma mistura de “Senhor dos Anéis”, “Game of Thrones” (tem até dois atores da série, um deles o “Littlefinger”), “Vikings”, “Harry Potter”, “Star Wars” (Eu sou seu tio!) e um monte de outros filmes que estão na moda atualmente (tem até um mestre de Kung-Fu!), tudo embalado como se fosse uma aventura moderna e descolada iguais aos filmes iniciais do Guy Ritchie, inclusive com os personagens falando e vestindo-se como se tivessem acabado de sair de um pub na periferia de Londres.

Mas tudo é tão mal feito, escuro e histérico que fica impossível até entender o que se passa na tela, como na sequência onde Arthur tem que ir à ilha sombria passar por provações e testes, mas isso é visto numa mistura de flashbacks e fast-fowards sob uma narração que vai explicando mal e porcamente o que está acontecendo. Não bastasse isso, o roteiro é péssimo e muda vários pontos da lenda clássica, colocando Arthur como filho do rei Uther que é lançado no rio e vira um lutador de rua criado por prostitutas, o que nos obriga a ver várias cenas dele esmurrando pessoas, repetindo a mesma besteira que Ritchie fez com Sherlock Holmes.

O filme já começa de forma risível, com uma batalha onde elefantes gigantescos (10 vezes maiores que os do “Senhor dos Anéis”) atacam Camelot sob o comando do mago Mordred, que além disso ainda joga bolas de fogo que desintegram os soldados inimigos. Mas bastou Uther Pendragon dar uma de Legolas, subir no elefante do chefe e, pronto, usando a poderosa espada Excalibur corta a cabeça do mago do mal. Por sinal, a famosa espada aqui funciona quase como o martelo do Thor e a gente nunca fica sabendo a extensão de seus poderes.

Aí descobrimos que tudo isso não passou de um plano engendrado pelo irmão do rei (Jude Law, que tem cara de almofadinha e não convence como vilão, perdendo-se em uma atuação digna dos piores canastrões) que se uniu ao Mordred para tomar o poder. Mas, como não dá certo, ele vai ao porão do castelo (hein?) e chama a vilã Úrsula de “A Pequena Sereia” que, depois de um sacrifício, o transforma numa mistura de Balrog com Sauron e, pronto, ele derrota o irmão e toma o trono. O que nos faz perguntar: se tinha esse poder todo à disposição, por que não o usou logo de cara?

O protagonista é feito por um loiro aguado (Charlie Hunnam de “Círculo de Fogo”) que tem a expressão de uma escultura de pedra e o carisma de uma ostra em coma. Para atrapalhar mais ainda, seu personagem não tem qualquer desenvolvimento e age de forma estúpida e petulante o tempo todo. Nem mesmo a cena em que tira a espada da pedra tem qualquer impacto, de tão forçada e mal encenada. Também não faz o menor sentido ele ter problemas em aceitar a Excalibur, muito menos as ações da maga que o ajuda. No final ela conjura uma cobra gigante que simplesmente aparece do nada e mata quase todos os malvados, o que nos faz perguntar novamente: por que não usou tal poder antes?

A trilha musical de Daniel Pemberton é ensurdecedora e completamente incongruente com o que vemos na tela, parecendo mais rejeitos de alguma banda de trash metal. A fotografia é escura e esmaecida, os efeitos visuais parecem pior do que muitos videogames e a única coisa que se salva às vezes é o desenho de produção.

Se você quiser conhecer a lenda do Rei Arthur, melhor mesmo ver “Excalibur”, do John Boorman (1981), ou então a sátira demolidora “Em Busca do Cálice Sagrado”, do Monty Phyton. Fuja desse “Rei Arthur” metido a besta!

Cotação: *

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Aécio Neves, presidente do PSDB, pode ser preso hoje


- do Brasil 247

O ex-senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi afastado do mandato nesta madrugada, pode ser preso ainda hoje.
Isso porque o procurador-geral Rodrigo Janot pediu a prisão de Aécio ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
O ministro decidiu afastar Aécio do mandato e levará o pedido de prisão ao plenário da corte, numa sessão que ocorrer ainda nesta quinta-feira.
Aécio liderou o golpe parlamentar que destruiu a economia brasileira, arrasou a imagem internacional do Brasil e deixou milhões de desempregados.
Na ação controlada da Polícia Federal, ele foi flagrado pedindo propina de R$ 2 milhões em propina à JBS, prometendo, em troca, uma diretoria da Vale (saiba mais aqui).
O dinheiro foi entregue à família Perrela, dona do Helicoca, um helicóptero apreendido com 500 quilos de cocaína, caso que agora poderá ser esclarecido.

Irmã de Aécio é presa em Minas Gerais

Alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira 18, Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), foi presa em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Ela não estava no exterior, como foi informado anteriormente. A operação da PF também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Andrea e Aécio.

Os investigadores haviam confirmado duas presas presas até o momento: um procurador da República que atua junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o advogado Willer Tomaz, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso e condenado a mais de 15 anos de prisão na Operação Lava Jato.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Golpe faz Brasil ter maior crise desde 1929

A aliança entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que decidiu incendiar o País após sua derrota em 2014, com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pretendia se salvar da Lava Jato, com o aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para instalar a "pinguela" Michel Temer no poder, produziu a segunda maior depressão econômica da história do Brasil, que só não perde para a depressão de 1930 e 1931, que foi consequência da quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

Neste ano, a queda do PIB será de 3,6%, depois de um tombo de 3,8% em 2015. Naquela ano, o PIB afundou com a aliança pelo "quanto pior, melhor", entre peemedebistas e tucanos, que visava criar as condições para o golpe. Em 2016, o País afundou ainda mais com a incapacidade de Michel Temer de governar.

A autodestruição brasileira é um caso inédito no mundo, que já produziu 7 milhões de desempregados – e continua produzindo. Segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho, o Brasil produzirá 33% dos desempregados do mundo em 2017.

Abaixo, um trecho da reportagem de Maria Regina Silva e Thais Barcellos:

Sem folga, a economia brasileira prosseguiu em recessão pelo segundo ano consecutivo, amargando queda de 3,60% em 2016, conforme mostra a mediana das expectativas coletadas pela pesquisa do Projeções Broadcast. 

O intervalo das expectativas de 48 instituições para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 - de retração de 3,70% a 3,50% - mostra que não houve trégua e que o País enfrentou a pior recessão da história, já deixando uma herança estatística negativa para 2017. Confirmada a queda, o Brasil terá dois anos seguidos de recessão, o que não ocorre desde 1930-1931.


"Alien", de Jerry Goldsmith: uma análise

Cine-Trash: "Alien: Covenant"

VAI ********!

Faltam-me adjetivos depreciativos para classificar esse novo candidato a obra-prima do cinema trash!

- por André Lux, crítico-spam

O diretor Ridley Scott conseguiu fazer algo impensável: uma continuação de “Prometheus” ainda pior que o anterior. Apesar de levar o título “Alien”, praticamente nada tem a ver com a série original e mesmo o monstro clássico aparece só no final e de maneira ridícula. Porra, tem uma cena que o alien sai de dentro do peito de um sujeito já parecido com  a sua forma final, fica em pé e abre os bracinhos, conseguindo ser mais ridículo que a paródia feita por Mel Brooks em "Spaceballs"! Vai ********
! 

Perto desse lixo, “Prometheus” nem parece tão ruim, ao menos tinha algum clima e pretensão de contar uma história minimamente interessante, mesmo que falhando fragorosamente. Bom, comparado a isso até os "Alien Vs. Predador" parecem filmes classe A!

O roteiro desse “Alien: Covenant” basicamente pega tudo de interessante em “Prometheus”, joga na privada e enfatiza o que havia de pior. Toda aquela história sobre os Engenheiros que teriam criado a vida na Terra é resolvida da maneira mais infame possível e abandonada sem a menor explicação. O que sobra então é um amontoado de cenas desconexas umas das outras, com os personagens agindo sempre da forma mais estúpida e inverossímil possível. 


Os astronautas, por exemplo, chegam no novo planeta para explorar e, claro, resolvem descer nele na mesma hora bem no meio de um gigantesco furacão! Obviamente, quase morrem na descida e ficam sem contato com a nave mãe, mas assim que pousam já saem andando numa boa, sem qualquer proteção (que tal um traje hermético?), metendo a mão e pisando em tudo que enxergam, inclusive uns casulos estranhos que, adivinha, soltam esporos que contaminam alguns e fazem brotar de dentro deles em questão de minutos uns aliens brancos risíveis! Por sinal, esses esporos e os monstros que saem deles acabam sendo muito mais terríveis que os próprios Aliens!

A única relação com “Prometheus” se dá com um subtexto religioso idiota que não leva a lugar algum e com a aparição do androide David (o coitado do Michael Fassbender, completamente perdido e que ainda tem que dobrar fazendo o outro androide Walter). Ele está há uns 10 anos lá e virou um psicopata completo com delírios de grandeza que cultiva e tenta aperfeiçoar os xenomorfos para acabar com a raça humana... Como é que é? Essa bobagem contamina os filmes originais, pois de um predador perfeito o Alien se transforma num experimento genético criado por um androide defeituoso? Tenha dó!


Enfim, é tanta estupidez junta que fica até difícil de resumir e, sinceramente, pode até dar a impressão que o filme é algo mais do que uma refilmagem de “Sexta-Feira 13” com uns aliens digitais toscos no lugar do Jason, matando adolescente no chuveiro (não estou brincando, tem uma cena assim mesmo!).

O elenco do filme é simplesmente pavoroso. Conseguiram até enfiar o insuportável James Franco no meio dessa josta, mas felizmente ele vira torrada antes mesmo de sair do casulo de hibernação e só aparece brevemente num vídeo pré-gravado! Ridley Scott, que já foi um dos maiores cineastas do mundo, deve ter dirigido “Alien: Covenant” sob o efeito de soníferos ou alcoolizado, pois nem mesmo esteticamente bonito o filme é. Na parte final, principalmente, impressiona a ruindade da cinematografia e da edição que chegam a níveis amadorísticos. A conclusão então não tem pé nem cabeça e é do tipo que vai fazer você se contorcer em agonia frente a tanta estupidez!

A trilha musical de um tal de Jed Kurzel é fraca e fica mais lamentável quando tenta incorporar os temas originais criados pelo mestre Jerry Goldsmith para o primeiro “Alien” - o que serve apenas para nos lembrar do quanto era genial aquele filme produzido lá atrás em 1979 e que parece mil vezes mais bem feito e moderno do que esse lixo feito em 2017, com o triplo de dinheiro e recursos.

Faltam-me adjetivos depreciativos e pontos de exclamação para classificar esse novo candidato a obra-prima do cinema trash – e olha que fui ao cinema com a expectativa bem baixa! É lamentável para qualquer fã da série original ver o sensacional Alien ser transformado em um mero caça-níqueis para que o decadente Ridley Scott possa pagar suas contas atrasadas. Tomara que seja um fracasso nas bilheterias para que ele volte sua atenção para outras bandas. Ninguém merece!

Cotação: *

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Jerry Goldsmith ganha estrela na calçada da fama

O compositor Jerry Goldsmith ganhou sua estrela na calçada da fama de Hollywood. Confira a cerimônia.









Globo é o principal agente da imbecilização da sociedade

A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX. Substitui perfeitamente a Igreja Católica como instrumento de controle das mentes e do comportamento

- Por Igor Fuser*, no Diário Liberdade


A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo “Brasil Ame-o ou Deixe-o” e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.

No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.

A Globo impôs um português brasileiro “standard”, que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.

A postura racista da Globo não poupa nem sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.

O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos. As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece. Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.

No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.

A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.

Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público.

*Igor Fuser é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC)
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