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segunda-feira, 22 de maio de 2017

JÁ DEU PARA ENTENDER POR QUE DERRUBARAM DILMA?


- do Brasil 247 

A pedagogia de um golpe. Essa poderia ser a narrativa dos últimos doze meses no Brasil.

Há pouco mais de um ano, quando o escritor português Miguel Sousa Tavares definiu a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como uma "assembleia de bandidos presidida por um bandido", muitos se recusavam a acreditar numa definição tão óbvia e tão precisa.

Foi preciso que os golpistas fossem caindo, um a um, para que a verdade viesse à tona.

O primeiro a tombar foi Eduardo Cunha, hoje condenado a mais de 15 anos de prisão, por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Pelas delações da JBS, já se sabe que Cunha recebeu propinas para sair comprando deputados – parlamentares que lhe foram fiéis na fatídica votação de 17 de abril de 2016.

Com sua bancada, alimentada por um mensalão particular, Cunha tentava extorquir o governo federal.

Dilma, na medida do possível, resistia.

A tal ponto que, já no seu primeiro mandato, trocou todos os diretores da Petrobras que acabaram presos em Curitiba, como Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada – este, homem de confiança do PMDB na área internacional da estatal. Nesta diretoria específica, ela reduziu em mais de 40% um contrato que renderia uma propina de US$ 40 milhões para o PMDB, segundo ficou acertado numa reunião presidida por Michel Temer (leia mais aqui).

Pelas delações da JBS, soube-se também que, em seu primeiro mandato, Dilma demitiu Wagner Rossi, que atuava como arrecadador de propinas para Temer (leia mais aqui), assim como demitiu outros notórios personagens da "turma do Michel", como Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima.

O caso Aécio

Ao seu modo, Dilma foi conseguindo conter o apetite criminal do PMDB, mal necessário para lhe garantir a governabilidade. O barco começou a virar quando Cunha, graças a sua bancada mensaleira, conseguiu se eleger presidente da Câmara dos Deputados, para, em seguida, se aliar ao senador (hoje afastado) Aécio Neves (PSDB-MG), um derrotado ressentido que, de repente, se viu sem nenhuma máquina política nas mãos, uma vez que perdera não só a presidência da República, como também o governo de Minas Gerais.

O casamento entre Cunha e Aécio era movido, agora se sabe, por propósitos puramente criminais. Andrea, a irmã de Aécio, chegou a oferecer a presidência da Vale ao empresário Joesley Batista por nada menos que R$ 40 milhões. Aécio era tão guloso em sua demanda financeira que Joesley chegou a pedir "pelo amor de Deus" para que ele parasse de pedir dinheiro (leia mais aqui).

E foi Aécio quem contratou Janaina Paschoal, por R$ 45 mil, para que ela fizesse o parecer das chamadas "pedaladas fiscais", que foi o pretexto para jogar o Brasil no precipício. Golpeada a democracia, o Brasil passou a ser governado, sem nenhum tipo de moderação, por uma verdadeira quadrilha. No governo federal, já há nove ministros investigados e, nos próximos dias, o próprio ocupante da presidência será investigado por corrupção, obstrução judicial e organização criminosa – fato inédito na história brasileira.

O responsável por essa tragédia, Aécio Neves, caiu em desgraça e até sua contratada Janaina Paschoal hoje pede sua prisão (leia aqui).

A luta permanente pela democracia

Mesmo golpeada por delinquentes, Dilma Rousseff se manteve de cabeça erguida. Rodou o mundo, denunciando o golpe, enquanto Temer, que usurpou sua presidência, não conseguiu colocar os pés na rua. Viveu trancado em palácios, protegido pelo silêncio de uma mídia decadente que, depois de apoiar o golpe militar de 1964, não se redimiu do passado e se associou ao golpe parlamentar de 2016.

Embora Temer esteja nos seus estertores, o golpe ainda não chegou ao fim – e não se sabe se, após a inevitável queda do presidente-golpista, o Brasil terá um reencontro com a democracia pela via das eleições diretas ou se haverá um pacto oligárquico que preserve o atual status quo, após o sacrifício de um usurpador que se tornou pesado demais para ser carregado.

Mas o Brasil ainda deve um pedido de desculpas a Dilma: a presidente que caiu porque tentou resistir à bandidagem que hoje governa o Brasil.

PS: E antes que se diga "ah, mas e os R$ 150 milhões no exterior da JBS para Lula e Dilma", a própria Globo já se retratou (leia mais aqui).

domingo, 21 de maio de 2017

Filmes: "Rei Arthur - A Lenda da Espada"

INSUPORTÁVEL

Tudo é tão mal feito, escuro e histérico que fica impossível até entender o que se passa na tela

- por André Lux, crítico-spam

Fazia tempo que não via um filme tão insuportável quanto esse “Rei Arthur - A Lenda da Espada”. Não bastasse ser mais uma adaptação da batida lenda dos cavaleiros da Távola Redonda, é todo picotado e frenético na edição, ao ponto se tornar inteligível em várias sequências. Acaba parecendo mais uma mera colagem das cut scenes de videogames, aquelas cenas que interligam uma fase do jogo à outra onde você não pode interagir.

Claro que a culpa maior disso é do diretor Guy Ritchie que chamou a atenção em 1998 com o interessante “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, mas depois apenas se repetiu ou lançou porcarias indefensáveis como os dois “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr. Se o estilo frenético do cineasta já não combinava com as aventuras do detetive da era vitoriana, fica ainda mais ridículo aqui, onde a ação se passa numa época medieval mítica.

“Rei Arthur - A Lenda da Espada” tenta ser uma mistura de “Senhor dos Anéis”, “Game of Thrones” (tem até dois atores da série, um deles o “Littlefinger”), “Vikings”, “Harry Potter”, “Star Wars” (Eu sou seu tio!) e um monte de outros filmes que estão na moda atualmente (tem até um mestre de Kung-Fu!), tudo embalado como se fosse uma aventura moderna e descolada iguais aos filmes iniciais do Guy Ritchie, inclusive com os personagens falando e vestindo-se como se tivessem acabado de sair de um pub na periferia de Londres.

Mas tudo é tão mal feito, escuro e histérico que fica impossível até entender o que se passa na tela, como na sequência onde Arthur tem que ir à ilha sombria passar por provações e testes, mas tudo é visto numa mistura de flashbacks e fast-fowards sob uma narração que vai explicando mal e porcamente o que está acontecendo. Não bastasse isso, o roteiro é péssimo e muda vários pontos da lenda clássica, colocando Arthur como filho do rei Uther que é lançado no rio e vira um lutador de rua criado por prostitutas, o que nos obriga a ver várias cenas dele esmurrando pessoas, repetindo a mesma besteira que Ritchie fez com Sherlock Holmes.

O filme já começa de forma risível, com uma batalha onde elefantes gigantescos (10 vezes maiores que os do “Senhor dos Anéis”) atacam Camelot sob o comando do mago Mordred, que além disso ainda joga bolas de fogo que desintegram os soldados inimigos. Mas bastou Uther Pendragon dar uma de Legolas, subir no elefante do chefe e, pronto, usando a poderosa espada Excalibur corta a cabeça do mago do mal. Por sinal, a famosa espada aqui funciona quase como o martelo do Thor e a gente nunca fica sabendo a extensão de seus poderes.

Aí descobrimos que tudo isso não passou de um plano engendrado pelo irmão do rei (Jude Law, que tem cara de almofadinha e não convence como vilão, perdendo-se em uma atuação digna dos piores canastrões) que se uniu ao Mordred para tomar o poder. Mas, como não dá certo, ele vai ao porão do castelo (hein?) e chama a vilã Úrsula de “A Pequena Sereia” que, depois de um sacrifício, o transforma numa mistura de Balrog com Sauron e, pronto, ele derrota o irmão e toma o trono. O que nos faz perguntar: se tinha esse poder todo à disposição, por que não o usou logo de cara?

O protagonista é feito por um loiro aguado (Charlie Hunnam de “Círculo de Fogo”) que tem a expressão de uma escultura de pedra e o carisma de uma ostra em coma. Para atrapalhar mais ainda, seu personagem não tem qualquer desenvolvimento e age de forma estúpida e petulante o tempo todo. Nem mesmo a cena em que tira a espada da pedra tem qualquer impacto, de tão forçada e mal encenada. Também não faz o menor sentido ele ter problemas em aceitar a Excalibur, muito menos as ações da maga que o ajuda. No final ela conjura uma cobra gigante que simplesmente aparece do nada e mata quase todos os malvados, o que nos faz perguntar novamente: por que não usou tal poder antes?

A trilha musical de Daniel Pemberton é ensurdecedora e completamente incongruente com o que vemos na tela, parecendo mais rejeitos de alguma banda de trash metal. A fotografia é escura e esmaecida, os efeitos visuais parecem pior do que muitos videogames e a única coisa que se salva às vezes é o desenho de produção.

Se você quiser conhecer a lenda do Rei Arthur, melhor mesmo ver “Excalibur”, do John Boorman (1981), ou então a sátira demolidora “Em Busca do Cálice Sagrado”, do Monty Phyton. Fuja desse “Rei Arthur” metido a besta!

Cotação: *

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Aécio Neves, presidente do PSDB, pode ser preso hoje


- do Brasil 247

O ex-senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi afastado do mandato nesta madrugada, pode ser preso ainda hoje.
Isso porque o procurador-geral Rodrigo Janot pediu a prisão de Aécio ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
O ministro decidiu afastar Aécio do mandato e levará o pedido de prisão ao plenário da corte, numa sessão que ocorrer ainda nesta quinta-feira.
Aécio liderou o golpe parlamentar que destruiu a economia brasileira, arrasou a imagem internacional do Brasil e deixou milhões de desempregados.
Na ação controlada da Polícia Federal, ele foi flagrado pedindo propina de R$ 2 milhões em propina à JBS, prometendo, em troca, uma diretoria da Vale (saiba mais aqui).
O dinheiro foi entregue à família Perrela, dona do Helicoca, um helicóptero apreendido com 500 quilos de cocaína, caso que agora poderá ser esclarecido.

Irmã de Aécio é presa em Minas Gerais

Alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira 18, Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), foi presa em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Ela não estava no exterior, como foi informado anteriormente. A operação da PF também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Andrea e Aécio.

Os investigadores haviam confirmado duas presas presas até o momento: um procurador da República que atua junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o advogado Willer Tomaz, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso e condenado a mais de 15 anos de prisão na Operação Lava Jato.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Golpe faz Brasil ter maior crise desde 1929

A aliança entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que decidiu incendiar o País após sua derrota em 2014, com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pretendia se salvar da Lava Jato, com o aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para instalar a "pinguela" Michel Temer no poder, produziu a segunda maior depressão econômica da história do Brasil, que só não perde para a depressão de 1930 e 1931, que foi consequência da quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

Neste ano, a queda do PIB será de 3,6%, depois de um tombo de 3,8% em 2015. Naquela ano, o PIB afundou com a aliança pelo "quanto pior, melhor", entre peemedebistas e tucanos, que visava criar as condições para o golpe. Em 2016, o País afundou ainda mais com a incapacidade de Michel Temer de governar.

A autodestruição brasileira é um caso inédito no mundo, que já produziu 7 milhões de desempregados – e continua produzindo. Segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho, o Brasil produzirá 33% dos desempregados do mundo em 2017.

Abaixo, um trecho da reportagem de Maria Regina Silva e Thais Barcellos:

Sem folga, a economia brasileira prosseguiu em recessão pelo segundo ano consecutivo, amargando queda de 3,60% em 2016, conforme mostra a mediana das expectativas coletadas pela pesquisa do Projeções Broadcast. 

O intervalo das expectativas de 48 instituições para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 - de retração de 3,70% a 3,50% - mostra que não houve trégua e que o País enfrentou a pior recessão da história, já deixando uma herança estatística negativa para 2017. Confirmada a queda, o Brasil terá dois anos seguidos de recessão, o que não ocorre desde 1930-1931.


"Alien", de Jerry Goldsmith: uma análise

Cine-Trash: "Alien: Covenant"

VAI ********!

Faltam-me adjetivos depreciativos para classificar esse novo candidato a obra-prima do cinema trash!

- por André Lux, crítico-spam

O diretor Ridley Scott conseguiu fazer algo impensável: uma continuação de “Prometheus” ainda pior que o anterior. Apesar de levar o título “Alien”, praticamente nada tem a ver com a série original e mesmo o monstro clássico aparece só no final e de maneira ridícula. Porra, tem uma cena que o alien sai de dentro do peito de um sujeito, fica em pezinho e abre os bracinhos, conseguindo ser mais ridículo que a paródia feita por Mel Brooks em "Spaceballs"! Vai ********
! 

Perto desse lixo, “Prometheus” nem parece tão ruim, ao menos tinha algum clima e pretensão de contar uma história minimamente interessante, mesmo que falhando fragorosamente. Bom, comparado a isso até os "Alien Vs. Predador" parecem filmes classe A!

O roteiro desse “Alien: Covenant” basicamente pega tudo de interessante em “Prometheus”, joga na privada e enfatiza o que havia de pior. Toda aquela história sobre os Engenheiros que teriam criado a vida na Terra é resolvida da maneira mais infame possível e abandonada sem a menor explicação. O que sobra então é um amontoado de cenas desconexas umas das outras, com os personagens agindo sempre da forma mais estúpida e inverossímil possível. 


Os astronautas, por exemplo, chegam no novo planeta para explorar e, claro, resolvem descer nele na mesma hora bem no meio de um gigantesco furacão! Obviamente, quase morrem na descida e ficam sem contato com a nave mãe, mas assim que pousam já saem andando numa boa, sem qualquer proteção (que tal um traje hermético?), metendo a mão e pisando em tudo que enxergam, inclusive uns casulos estranhos que, adivinha, soltam esporos que contaminam alguns e fazem brotar de dentro deles em questão de minutos uns aliens brancos risíveis! Por sinal, esses esporos e os monstros que saem deles acabam sendo muito mais terríveis que os próprios Aliens!

A única relação com “Prometheus” se dá com um subtexto religioso idiota que não leva a lugar algum e com a aparição do androide David (o coitado do Michael Fassbender, completamente perdido e que ainda tem que dobrar fazendo o outro androide Walter). Ele está há uns 10 anos lá e virou um psicopata completo com delírios de grandeza que cultiva e tenta aperfeiçoar os xenomorfos para acabar com a raça humana... Como é que é? Essa bobagem contamina os filmes originais, pois de um predador perfeito o Alien se transforma num experimento genético criado por um androide defeituoso? Tenha dó!


Enfim, é tanta estupidez junta que fica até difícil de resumir e, sinceramente, pode até dar a impressão que o filme é algo mais do que uma refilmagem de “Sexta-Feira 13” com uns aliens digitais toscos no lugar do Jason, matando adolescente no chuveiro (não estou brincando, tem uma cena assim mesmo!).

O elenco do filme é simplesmente pavoroso. Conseguiram até enfiar o insuportável James Franco no meio dessa josta, mas felizmente ele vira torrada antes mesmo de sair do casulo de hibernação e só aparece brevemente num vídeo pré-gravado! Ridley Scott, que já foi um dos maiores cineastas do mundo, deve ter dirigido “Alien: Covenant” sob o efeito de soníferos ou alcoolizado, pois nem mesmo esteticamente bonito o filme é. Na parte final, principalmente, impressiona a ruindade da cinematografia e da edição que chegam a níveis amadorísticos. A conclusão então não tem pé nem cabeça e é do tipo que vai fazer você se contorcer em agonia frente a tanta estupidez!

A trilha musical de um tal de Jed Kurzel é fraca e fica mais lamentável quando tenta incorporar os temas originais criados pelo mestre Jerry Goldsmith para o primeiro “Alien” - o que serve apenas para nos lembrar do quanto era genial aquele filme produzido lá atrás em 1979 e que parece mil vezes mais bem feito e moderno do que esse lixo feito em 2017, com o triplo de dinheiro e recursos.

Faltam-me adjetivos depreciativos e pontos de exclamação para classificar esse novo candidato a obra-prima do cinema trash – e olha que fui ao cinema com a expectativa bem baixa! É lamentável para qualquer fã da série original ver o sensacional Alien ser transformado em um mero caça-níqueis para que o decadente Ridley Scott possa pagar suas contas atrasadas. Tomara que seja um fracasso nas bilheterias para que ele volte sua atenção para outras bandas. Ninguém merece!

Cotação: *

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Jerry Goldsmith ganha estrela na calçada da fama

O compositor Jerry Goldsmith ganhou sua estrela na calçada da fama de Hollywood. Confira a cerimônia.









Globo é o principal agente da imbecilização da sociedade

A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX. Substitui perfeitamente a Igreja Católica como instrumento de controle das mentes e do comportamento

- Por Igor Fuser*, no Diário Liberdade


A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo “Brasil Ame-o ou Deixe-o” e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.

No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.

A Globo impôs um português brasileiro “standard”, que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.

A postura racista da Globo não poupa nem sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.

O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos. As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece. Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.

No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.

A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.

Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público.

*Igor Fuser é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Filmes: "Guardiões da Galáxia - Vol. 2"

MELHOR QUE O PRIMEIRO

Tom de comédia assumido deixa o filme mais leve e esconde furos e besteiras

- por André Lux, crítico-spam


Esse novo “Guardiões da Galáxia – Vol. 2” é melhor que o primeiro, mas ainda tem alguns problemas básicos. Primeiro, batalhas espaciais exageradas demais, como a do começo onde os heróis são atacados por um enxame de milhares de naves, o que torno tudo confuso e difícil de seguir. 

A trama, igual a quase todos os filmes da Marvel, novamente gira em torno de um super-ser buscando algo poderoso para poder se tornar ainda mais poderoso, embora aqui só revelem quase no final e aí o filme desande um pouco para aquelas lutas exageradas.

Mas ao menos o humor é mais explícito, as piadas mais inteligentes (conseguiu me fazer rir muito na cena do salto entre os portais) e o filme é bem menos violento que o anterior. O elenco está mais à vontade e a química entre eles funciona. Kurt Russel surge como o pai do herói e é sempre um ator carismático. Até o Stallone dá as caras, mas não tem nada a fazer no que é basicamente uma ponta para introduzir um personagem que vai aparecer em outros filmes derivados desse.

Forçam a barra para transformar o personagem Yondu (feito pelo competente Michael Rooker) em algo muito maior do que um reles mercenário que usava e abusava do protagonista, mas sinceramente achei piegas e não convincente, especialmente quando tem a cena final apoteótica.

Gostei do desenho de produção e das lutas bem coreografadas. No começo o diretor tenta mudar o foco, prendendo a câmera no bebê Groot enquanto os heróis enfrentam um monstro enorme e a gente só consegue ver eles brigando no canto da tela enquanto o ser de madeira dança ao som de uma das músicas pop que recheiam a trilha. Nos créditos finais aparecem nada menos que cinco cenas (mas quase nada acrescentam), no que já virou marca registrada da Marvel.

Não é grande coisa, mas o tom de comédia assumido deixa o filme mais leve e esconde os furos e besteiras. Dá pra assistir sem se aborrecer.

Cotação: * * *

Blogueiro pede a sua ajuda!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada e como hobby, porém devido à situação dramática que o país se encontra depois que a direita destruiu a economia para derrubar o PT, vender o país aos gringos e destruir os direitos dos trabalhadores, estou passando por necessidades! 

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ex-embaixador britânico diz que Brasil sofre “golpe ultracorrupto da CIA”

O ex-embaixador britânico no Uzbequistão, Craig Murray, usou sua conta no Twitter, na última sexta-feira (28), para denunciar o golpe no Brasil. 

Reitor de uma universidade na Escócia, historiador, escritor e ativista de direitos humanos, Murray disse que a notícia mais importante daquela sexta-feira era a greve geral que acontecia no Brasil, mas que a mídia não iria noticiar o assunto.

Para Murray, que tem as relações políticas internacionais como base para o seu trabalho, a greve geral no Brasil foi deflagrada pela população para lutar contra o que chamou de “golpe ultracorrupto da CIA”.

“A notícia mais importante de hoje é a greve geral no Brasil contra o golpe ultracorrupto da CIA. A mídia não vai te contar isso”, escreveu.


"Era Lula" foi a melhor fase da economia brasileira dos últimos 30 anos, diz FGV


O período de junho de 2003 a julho de 2008 foi a fase de maior expansão para a economia brasileira das últimas três décadas, indica estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Nesses cinco anos, a indústria se expandiu, as vendas do comércio registraram alta e a geração de emprego e renda cresceram.

A análise foi realizada pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, coordenado pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, e teve participação de mais seis economistas.

Segundo o estudo, que considerou dados a partir de 1980, o bom desempenho da economia começou seis meses após a posse do presidente Lula e se prolongou por 61 meses. O segundo melhor período foi entre fevereiro de 1987 e outubro de 1988, na gestão do ex-presidente José Sarney.

O menor período recessivo, de acordo com o levantamento, foi também no governo atual e durou seis meses: de junho de 2008 a janeiro de 2009, quando o país conviveu com a recessão. Mesmo sendo menos afetado do que outros países, o Brasil sofreu nesse período reflexos da crise financeira internacional.

O maior intervalo de baixo desempenho, classificado de recessivo, por se estender por meses seguidos, ocorreu entre junho de 1989 e dezembro de 1991, prolongando-se até janeiro de 1992, num total de 30 meses. Essa fase crítica começou em meio à campanha pela primeira eleição direta para a Presidência da República depois do regime militar (1964-1985).

De acordo com o estudo, nas três décadas analisadas, o Brasil passou por oito ciclos de negócios entre intervalos de fases boas e ruins. Os períodos recessivos duraram, em média, 15,8 meses e os de expansão, 28,7 meses.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Lula continua sendo o politico com maior aprovação


- do site Brasil 247

Levantamento do Instituto Ipsos divulgado nesta quarta-feira, 26, confirma o que dois outros institutos de pesquisas já haviam cravado: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o político mais aprovado do País. 

Apesar do massacre midiático liderado pela Globo e da caçada judicial da operação Lava Jato, Lula aparece em primeiro lugar em aprovação, com 34% da preferência do eleitor. Em segundo lugar vem a ex-senadora Marina Silva (Rede), com 24%.

Em terceiro aparece o senador José Serra (PSDB), com 18% de aprovação, seguido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), ambos com 14%. O presidenciável do PDT Ciro Gomes vem na quinta colocação, com 11%.

O senador Aécio Neves (PSDB), derrotado nas eleições de 2014 e idealizar do golpe parlamentar de 2016, está na última colocação da preferência do eleitorado brasileiro, com apenas 9% de aprovação, empatado com o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

A pesquisa Ipsos também mostrou que Michel Temer teve sua desaprovação elevada em nove pontos em um mês e agora, pela primeira vez desde sua posse, iguala-se à taxa do ex-deputado Eduardo Cunha, personalidade pública mais rejeitada do Brasil em reiteradas pesquisas. De acordo com o novo levantamento, 87% dos brasileiros desaprovam a forma como Temer vem atuando; a aprovação a Temer também sofreu mudança relevante no período de um mês; caiu de 17% para 10% (leia mais).

A Ipsos, que faz esse monitoramento mensalmente, ouviu 1.200 pessoas em 72 municípios entre 1º e 12 de abril, com uma marge de erro de três pontos percentuais. Números foram divulgados pelo jornal Valor Econômico.

Trilhas sonoras: minha lista das preferidas


Acho que seria pretensão da minha parte fazer uma lista as melhores trilhas de todos os tempos, portanto a lista abaixo é das minhas trilhas preferidas, não necessariamente na ordem de preferência. Com certeza deixei muita coisa boa de fora, mas fazer listas é assim mesmo... E as de vocês, quais são?

1) O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (John Williams) 

O segundo capítulo da saga original de "Guerra nas Estrelas" tem uma trilha simplesmente primorosa.

Além de possuir dezenas de temas e pequenos “motifs” para cada personagem (até para os robôs R2-D2 e C3PO!), que são as marcas registradas de Williams, conta com uma complexidade orquestral incrível, principalmente nas músicas para as cenas de ação. 

Destaque para toda a música que acompanha a sequência da batalha na neve no planeta Hoth, de altíssima complexidade, e para a perseguição nos asteróides acompanhada por um scherzo de tirar o fôlego. 

Foi nesta partitura que John Williams criou o insuperável tema do Darth Vader (que não existia no primeiro capítulo da série original). E também o inspiradíssimo tema de Yoda, um dos mais graciosos do cinema.

2) JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME (Jerry Goldsmith) 

Continua imbatível a trilha para o primeiro filme de Kirk e Spock para os cinemas. O tema principal é sensacional e a faixa “The Enterprise”, um balé maravilhoso que dura mais de cinco minutos e termina de forma arrepiante. 

Destaque para o uso do blaster beam, um recurso sonoro impressionante que serve de assinatura para o invasor alienígena V'Ger (Goldsmith era famoso pelos instrumentos inusitados e invetivos que usava em suas partituras). 

Recentemente consegui a trilha completa, em 3 CDs, que contém inclusive as faixas originais que o mestre Goldsmith compôs antes de criar o tema principal e foram rejeitas. Simplesmente supimpa! 

E pensar que passei anos da minha vida tendo que me contentar em ouvir essa magnífica trilha numa fita K-7 que depois de uns 10 anos simplesmente se desintegrou de tanto ser tocada...

3) ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO (Jerry Goldsmith) 

Sem dúvida, em se tratando de música de medo, “Alien” é o que há de melhor. A partitura é basicamente atonal, embora Goldsmith tenha composto um tema romântico para os astronautas que foi pouco usado na montagem final. 

O compositor tira sons de arrepiar da orquestra e usa instrumentos inusitados para marcar as aparições do monstro que são de gelar o sangue. 

O mais incrível é que quase todas as faixas compostas por Goldsmith para o filme acabaram sendo usadas em cenas diferentes das quais foram criadas e mesmo assim a trilha continua funcionando perfeitamente. 

Nem mesmo a inclusão de duas faixas da trilha que Goldsmith escreveu para “Freud” e uma composição de Howard Hanson para o final atrapalham. 

Há pouco tempo o selo Intrada lançou um álbum duplo como a trilha completa de “Alien”, com todos os temas originais e as novas composições criadas por Goldsmith para o filme. Imperdível.

4) KRULL (James Horner) 

Em minha modesta opinião, essa é a melhor trilha sonora composta por Horner. 

Usando um tema vibrante e muito bonito que permeia toda a trilha, o compositor dá vida a um filme que sem a sua música viraria piada. 

Mas Horner rege a Orquestra Sinfônica de Londres e segura as pontas, sem ter vergonha de ser grandiloquente ou romântico, no melhor estilo "capa e espada". 

Destaque para o Main Title e para a corrida com as éguas de fogo que saem voando pelos céus de Krull (sim, é isso mesmo, você leu direito!). 

O bacana dessa trilha é que ela não tem quase nada de material reciclado do próprio Horner, uma de suas características mais irritantes. Também é a mais original do compositor, uma verdadeira obra prima! 

E o mais legal é que um selo de colecionadores lançou a trilha completa num CD duplo excelente com 21 faixas, pois a versão oficial original tinha só meia dúzia delas.

5) Trilogia O SENHOR DOS ANÉIS (Howard Shore) 

Eu fui um dos poucos que ficaram felizes com a escolha de Howard Shore para compor a música da trilogia de "O Senhor dos Anéis". 

É que eu já era fã dele há mais tempo e conhecia seu trabalho mais a fundo. 

E ele não decepcionou, pelo contrário. Compôs uma das partituras mais incríveis da história do cinema numa empreitada heróica – os três filmes usam música em quase todas as cenas e esse tipo de opção quase nunca dá certo. 

Dos três filmes, minha preferida é a do primeiro, principalmente toda a sequência dentro das minas dos anões, mas as outras duas também são excelentes. Impressiona a riqueza dos temas e da textura sonora que Shore criou para as cenas de batalha. 

Para se ter ideia da riqueza e complexidade do seu trabalho, ele teve que compor o tema de Gondor já para o primeiro filme, sendo que ele só iria ser usado em toda sua grandeza no último filme, "O Retorno do Rei", quase quatro anos depois! 

Procure as edições completas das trilhas, cujas edições são simplesmente primorosas.

6) CINEMA PARADISO (Ennio Morricone) 

Lembro até hoje quando comprei o CD com a trilha desse filme numa lojinha no centro de São Paulo. Foi a primeira vez na minha vida que chorei ouvindo música! 

Morricone é um mestre e compôs mais de 400 trilhas, por isso é muito difícil escolher uma trilha preferida dele, mas a tendência é preferir aquelas que mais me emocionam quando lembro do filme. 

E "Cinema Paradiso" é a principal delas. A trilha tem um tema central simples, porém muito sensível que passa com perfeição a sensação de nostalgia e amargura que pontua o filme todo. Outro destaque é o pequeno tema cômico que acompanha as aventuras de Totó e Alfredo.

O tema de amor foi composto pelo filho do Compositor, Andrea Morricone, e é belíssimo. 

Vale a pena procurar a versão completa da trilha, lançada na europa.

7) EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (John Barry) 

Essa deve ser a trilha sonora mais romântica do cinema. 

E nisso John Barry é mestre, embora no começo de sua carreira fosse mais lembrado como compositor das músicas de ação para os filmes do James Bond. 

A trilha de "Em Algum Lugar no Passado" carrega o filme nas costas e é outra que tem lugar garantido entre as preferidas pelos apreciadores do gênero. 

Basicamente a partitura gira em torno do tema principal, que é apresentado em diversas versões e leituras através do filme, mas mesmo assim nunca cansa e continua emocionando até hoje. 

Existe uma regravação, conduzida por John Debney, que traz a partitura completa do filme e não fica nada a dever da original.

8) BLADE RUNNER (Vangelis) 

Ridely Scott só chamou o compositor grego no final do segundo tempo para compor a trilha dessa clássico da ficção científica. 

E Vangelis humilhou, criando uma trilha atemporal que vai contra toda a tradição do gênero. 

Existencialista, suave e angustiante, a música de “Blade Runner” continua impressionando pela sua inventividade e beleza até hoje. 

Infelizmente, devido a problemas contratuais, a trilha nunca foi lançada oficialmente na versão completa e demorou anos para sair numa versão oficial (a primeira era apenas uma releitura feita pela The New American Orchestra!). 

Recentemente, saiu um CD triplo supostamente com a partitura completa, porém muitas músicas continuaram de fora e o terceiro CD é só com músicas novas do Vangelis inspiradas no filme, o que irritou muito os apreciadores. Existem várias versões piratas que tentam preencher esse lamentável vácuo.

9) UM CORPO QUE CAI (Bernard Herrmann) 

A parceria entre o genial Bernard Herrmann e o diretor Alfred Hitchcock produziu trilhas magníficas e inesquecíveis para o cinema, sendo "Psicose" talvez a mais lembrada e admirada. 

Mas para mim a que mais marcou foi a de “Um Corpo Que Cai”. 

A partitura de Herrmann é um caleidoscópio de temas e sonoridades complexas que vai se desenvolvendo gradualmente, ajudando o desenrolar do suspense da trama do filme até o final surpreendente. 

Um verdadeiro clássico do gênero! 

Existem várias versões da trilha, inclusive uma regravação da partitura completa conduzida por Joel McNeely que é muito boa e não fica nada a dever para o original.

10) A MISSÃO (Ennio Morricone) 

Essa é a trilha que me fez virar fã de carteirinha do mestre Ennio Morricone quando eu era apenas adolescente e ainda causa impacto até hoje, mesmo tendo gerado um sem número de imitações. 

"A Missão" também foi o primeiro filme sério que eu assisti nos cinemas e gostei de verdade, abrindo meus olhos para outros tipo de gênero além de terror, aventura e ficção científica. 

O uso de coral na trilha é maravilhoso e emociona até quem não é chegado em religião ou mesmo ateu como eu (o filme é sobre padres jesuítas que lutam para salvar os índios na América do Sul da época da invasão européia, com resultados trágicos). 

Não ter ganho o Oscar de melhor trilha sonora em 1987 foi uma vergonha, mas abriu as portas para o compositor italiano que depois escreveu a partitura para dezenas de filmes em Hollywood.

11) CONAN, O BÁRBARO (Basil Poledouris) 

Outra trilha que faz extensivo uso de corais em diversas faixas. 

É uma verdadeira sinfonia, já que o filme tem pouquíssimos diálogos e é conduzido pela música magistral de Basil Poledouris em quase todas as cenas. 

O filme tem seus detratores, por causa da violência excessiva, mas a trilha é sempre lembrada com carinho pelos colecionadores. 

Destaque para o tema principal (“Anvil of Crom”) e para a música da batalha final, entre as mais poderosas do cinema, ideal para ouvir quando se está malhando na academia de ginástica! 

O selo Varese Sarabande, especializado em música de cinema, lançou a trilha numa versão quase completa e existem versões piratas por aí que clamam trazer a versão completa da obra. 

Mas só recentemente o selo Intrada lançou um CD triplo com a trilha completa do filme, mais versões alternativas e a edição do album original com os destaques e diferenças na mixagem.

12) OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (John Williams) 

Depois de “Guerra nas Estrelas” e "Superman", Williams comprova novamente sua maestria em criar temas nesse primeiro filme da série do Indiana Jones, também a trilha mais complexa e memorável dos quatro. 

Quem não conhece o tema do protagonista, um dos mais "assobiáveis" do cinema? 

O grande destaque da trilha fica sem dúvida com “The Desert Chase”, música para a perseguição do caminhão no deserto que tem quase oito minutos de poder puro, daqueles de deixar a gente sem fôlego! 

A trilha do segundo filme é quase tão boa quanto a do primeiro, inclusive usando muito coral de vozes e percussão pesada nas cenas mais arrepiantes.

Foi lançado há alguns tempo um box com a trilha dos quatro filmes da série que traz a partitura (quase) completa dos três primeiros.

13) A LENDA (Jerry Goldsmith) 

Essa é considerada uma das mais belas e complexas trilhas do mestre Goldsmith.

Mas, por incrível que pareça, foi rejeitada pelo presidente do estúdio (o mesmo idiota que tentou fazer Terry Gilliam deixar "Brazil" com final feliz!) que exigiu do diretor Ridley Scott uma música mais “pop” para seu conta de fadas! 

E o mais triste é que ele aceitou, usando música nova (e fraquinha) do grupo de rock progressivo Tangerine Dream, para irritação máxima de Goldsmith, que nunca mais quis nem saber do diretor Scott. 

Felizmente, nas cópias européias do filme (que chegaram a ser exibidas no Brasil na época) a trilha de Goldsmith permaneceu intacta e é o principal motivo do filme continuar a ser lembrado até hoje. 

Repleta de temas primorosos, a partitura faz uso extensivo de corais e de orquestrações complexas, além de sons eletrônicos criativos, típicos do mestre. 

Para alegria dos apreciadores, a trilha quase completa, conforme havia sido gravada para o filme, foi lançada em CD. 

Anos depois o próprio Ridley Scott reconheceu seu erro e relançou o filme em DVD na versão completa, com a música maravilhosa e emocionante de Goldsmith intocada.

14) YOUNG SHERLOCK HOLMES (Bruce Broughton) 

Chamado no Brasil de “O Enigma da Pirâmide”, esse filme sobre uma suposta juventude do detetive Sherlock Holmes contou com uma trilha sonora primorosa composta por Bruce Broughton, um dos compositores mais prolíficos dos anos 80. 

Perfeitamente adequada para o clima leve do filme, impressiona também quando precisa ser mais dramática ou pesada. 

A faixa com coral (“Waxing Elizabeth”) é lembrada com carinho pelos fãs e o tema principal é uma delícia! 

Lamentavelmente, a versão completa da trilha foi lançada pela Intrada em versão promocional às custas do próprio compositor e hoje é quase impossível de ser achada, embora existam outras versões piratas, inclusive com as sessões de gravação completas da trilha!

Somente em 2014, a trilha completa foi lançada oficialmente em um album duplo, novamente pela Intrada. Sensacional!

15) FORÇA SINISTRA (Henry Mancini) 

O famoso compositor dos filmes da "Pantera Cor de Rosa" e mais lembrado por suas músicas para comédias e romances, compôs uma trilha espetacular para esse filme de terror quase trash sobre vampiros espaciais que são trazidos para a Terra do cometa Halley. 

A trilha já começa em alta, com um vigoroso tema principal e não para nunca, principalmente no final apocalíptico do filme, onde Mancini pega você pela garganta e faz maravilhas mesmo tendo como inspiração algumas cenas bem ridículas (mas cheias de efeitos especiais espetaculares). 

A música dele é tão boa que, no final das contas, os realizadores imbecis acharam melhor chamar outro músico, no caso Michael Kamen, para compor umas faixas eletrônicas horríveis para usar no lugar da poderosa música orquestral de Mancini! 

Ainda bem que na versão lançada em DVD a trilha original está restaurada. O duro é ver o filme sem rir. 

Melhor mesmo é comprar o CD duplo lançado há pouco tempo, que inclusive traz a horrível música composta por Kamen.

16) A GUERRA DO FOGO (Philippe Sarde)

Essa é uma trilha sonora realmente "cavernosa"! 

Composta por Philippe Sarde para o filme sem diálogos (ao menos inteligíveis) de Jean Jacques Annaud (de "O Nome da Rosa") sobre a luta de um grupo de homens das cavernas para descobrir os mistérios do fogo.

A partitura estritamente orquestral alterna momentos atonais de pancadaria e poder puros, com direito a muitos solos de percussão, com outros mais intimistas relacionados à descoberta do amor pelos protagonistas. 

A melhor faixa é justamente o "Love Theme", uma belíssima suíte de cinco minutos que foi usada para encerrar o filme. 

Existe uma versão em CD com 14 faixas e outra editada na Europa mais nova com 17.

17) ERA UMA VEZ NA AMÉRICA (Ennio Morricone) 

Para a obra prima do diretor Sergio Leone, Ennio Morricone compôs uma de suas trilhas mais inspiradas, com momentos que fazem arrepiar até o último fio de cabelo, principalmente quando entram os solos vocais de Edda Dell'Orso. 

O tema de Deborah é simplesmente sublime, assim como o "Cockey's Song", que conta com solos da flauta Pan de Gheorge Zamfir (que no CD estão com mixagem e performance diferentes do que foi usado no filme). 

Morricone também incorpora trechos da canção Amapola em vários momentos da partitura de maneira tocante. 

É triste saber que a trilha de "Era Uma Vez Na América" não foi indicada ao Oscar simplesmente porque o estúdio responsável esqueceu de inclui-la na lista de inscrições! 

Existem duas versões em CD, uma com 15 e outra com 19 faixas.

18) ADEUS AO REI (Basil Poledouris)

É incrível a capacidade que alguns compositores tem de compor trilhas sensacionais para filmes ruins. 

É o caso de "Adeus ao Rei" que Poledouris compôs para esse filme do mesmo diretor de "Conan, o Bárbaro", John Millius, e estrelado pelo Nick Nolte (que passa o filme todo com um penteado lamentável, no estilo "juba de leão"). 

A partitura alterna momentos de rara beleza e sensibilidade musical com outros mais vigorosos e tem um tema principal majestoso. 

A impressão que dá é que o compositor conseguiu entender o espírito do filme melhor do que o diretor, pois muitas vezes a música acaba passando bem mais emoção do que a cena para a qual foi escrita. 

Os destaques ficam por conta do "Main Title" e das faixas "Battle Montage", "Nigel's Trip" e "This Day Forth". O selo Prometheus lançou o score completo, com 31 faixas, inclusive algumas alternativas e com mixagem diferente.

19) SUPERMAN - O FILME (John Williams) 

O tema criado por Williams para o personagem é tão perfeito que parece que já existia mesmo antes de ser composto. 

A música chega literalmente a "cantar" SU-PER-MAN nos créditos iniciais, que estão entre os mais bacanas da história do cinema! 

Mas a trilha de "Superman" não é só o tema principal, pois Williams criou toda uma gama de outros temas memoráveis que estão no mesmo nível do que fez de melhor em sua carreira: o tema do planeta Kripton, com seus corais de vozes fantasmagóricas, o tema de amor para Superman e a Lois Lane, que atinge seu auge na faixa "Can You Read My Mind?", e o tema dos vilões, que consegue ser cômico e passar uma sensação de perigo ao mesmo tempo. 

Existem duas versões em CD que valem a pena ser adquiridas: um album duplo que traz 35 faixas e outra saiu num box com 8 CDS que trazem todas as trilhas para os quatro filmes do homen de aço, com um total de 37 faixas para o primeiro filme.

20) GREYSTOKE - A LENDA DE TARZAN (John Scott) 

John Scott é um dos melhores compositores de música para o cinema. Infelizmente é um dos mais subestimados também. 

A maioria das trilhas que escreveu foi para filmes B ou mesmo irremediáveis trashs, como "Yor, o Caçador do Futuro" ou "King Kong 2". 

Mas, independente da qualidade do filme, sua música sempre manteve a qualidade. E quando foi chamado para musicar obras classe A, não decepcionou. 

É o caso de "Greystoke - A Lenda de Tarzan", do diretor Hugh Hudson, uma releitura hiper realista da famosa história do homem macaco. O tema principal composto por Scott é simplesmente um dos mais sublimes que já escutei em minha vida. 

A partitura também é recheada de passagens pesadas e atonais para ilustrar a vida selvagem na selva. 

Inacreditavelmente, essa trilha demorou décadas para ser lançada oficialmente em CD e existia apenas em versões piratas!

21) FUGA DE NOVA YORK (John Carpenter & Alan Howarth) 

John Carpenter é um dos meus diretores preferidos e seu "Fuga de Nova York" está entre os filmes que mais me marcaram na juventude. 

Além de dirigir e escrever roteiros, Carpenter também compôs a trilha musical de quase todos os seus filmes, mesmo não sendo músico! E por incrível que pareça, muitas de suas partituras são realmente boas, perfeitamente adequadas aos filmes. 

Embora não tenha o mesmo nível de complexidade das trilhas citadas anteriormente, "Fuga de Nova York" figura entre as minhas favoritas porque traz o filme à cabeça instantaneamente e tem um tema principal super cool

Composta em parceria com o compositor Alan Howarth, é uma trilha inteiramente eletrônica e minimalista, que lembra algumas composições de Ennio Morricone (Carpenter é fã confesso do compositor, tanto é que trabalhou junto com ele em "O Enigma do Outro Mundo"), porém bastante criativa e interessante mesmo longe do filme. 

O CD original da Varese Sarabande tinha apenas 13 faixas, mas foi depois lançada na versão completa com 28 faixas pela Silva Screen.

22) BEN HUR (Miklós Rózsa) 

Para muitos, Miklós Rózsa é o maior compositor de trilhas da história do cinema. Jerry Goldsmith resolveu que seria compositor de músicas para filmes depois de assistir "Spellbound" de tão impressionado que ficou com a música composta por Rózsa. 

Entre suas obras mais famosas estão "Quo Vadis", "El Cid" e "Rei dos Reis". E, claro, "Ben Hur". 

Chamar essa trilha de épica é brincadeira. Trata-se de uma obra simplesmente colossal que pontua o filme com Charleton Heston de maneira primorosa, do começo ao fim. Lembro até hoje da primeira vez que vi o filme. 

Foi, obviamente, numa reprise em um cinema de Campinas (que nem existe mais). Eu devia ter uns 12 anos, mas lembro perfeitamente do impacto que "Ben Hur" me causou. Simplesmente não desgrudei os olhos da tela - e olha que estamos falando de um filme com quase quatro horas de duração! 

Anos depois consegui comprar a trilha, lançada pela Rhino Discs numa edição super especial com nada menos do que, pasmem, 88 faixas! No quesito épico, essa é mesmo insuperável...

23) FÚRIA DE TITÃS (Laurence Rosenthal) 

Laurence Rosenthal é outro excelente compositor que, a exemplo de John Scott, foi criminosamente subaproveitado pelo cinema. 

Entre seus melhores trabalhos está, sem dúvida, a trilha que compôs para o último filme do lendário Ray Harryhausen, famoso inventor do sistema stop-motion que utilizava para dar vida a monstros e criaturas delirantes. 

Eu assisti a "Fúria de Titãs" no cinema e fiquei noites sem dormir por causa da Medusa! A música de Rosenthal também me marcou muito, principalmente o majestoso tema principal, utilizado em poderoso arranjo, de excelente orquestração, para a cena que Perseus doma o cavalo alado Pegasus. 

O filme é uma verdadeira salada de mitos gregos e traz o consagrado Laurence Olivier brincando de Zeus, mas o compositor não dá bola e trata tudo com a maior seriedade. Felizmente, a trilha existe em CD e foi lançanda ainda numa edição espandida, com três faixas a mais do que as 14 originais.

O selo Intrada lançou há alguns ano a versão completa da trilha, em um álbum duplo maravilho.

24) CAÇADOR DO ESPAÇO - AVENTURAS NA ZONA PROIBIDA (Elmer Bernstein) 

Elmer Bernstein é um monstro sagrado na arte de compor trilhas para o cinema. 

São deles obras inesquecíveis como "Os 10 Mandamentos" e "Sete Homens e Um Destino". Mas minha trilha favorita composta por ele, acredite se quiser, é para um filme quase trash, chamado "Caçador do Espaço - Aventuras na Zona Proibida" que só eu devo lembrar que existe... Coisas de nerd!

Pior é que fiquei anos procurando pela trilha sonora, que só foi lançada recentemente pela Varese Sarabande. Antes ela só podia ser curtida junto com o filme ou num CD pirata de péssima qualidade. 

Gosto muito do tema principal, que é uma marcha bem aventuresca, e do tema associado à personagem Niki, que conta com solos de Ondes Martenot, instrumento favorito do compositor, que é uma variante do bizarro Teremin, e que está presente em muitas de suas trilhas.

25) POLTERGEIST (Jerry Goldsmith) 

Entre minhas trilhas sonoras favoritas não poderia deixar de citar "Poltergeist". Embora seja música composta para um filme de terror, aqui o mestre Goldsmith vai numa direção contrária à da trilha de "Alien".

Enquanto a segunda era basicamente atonal e repleta de sons sinistros e alienígenas, em "Poltergeist" a partitura baseia-se em primeiro lugar no tema da menina Carol Anne, que pode ser ouvido nos créditos finais com um coral infantil, e que representa a inocência em face do medo. 

Goldsmith explora o terror que vem dos espíritos malignos que infestam a casa da família Freeling contrastando suas aparições com o tema da criança. Existem algumas faixas que são de gelar o sangue, como "Twisted Abduction", que pontua a sequência em que Carol Anne é sugada pela porta do armário de seu quarto, ou "Night of the Beast", que é música de terror em estado bruto. 

Já outras são mais etéreas e remetem ao sentimento de estupefação e maravilhamento que acontece no primeiro momento do contato com os fantasmas ("The Light"). 

Mas o melhor da trilha acontece quando Goldsmith une essas duas aproximações com efeitos arrepiantes em "Rebirth", música que pontua a cena do resgate de Carol Anne, repleta de coral de vozes e efeitos orquestrais de grande complexidade. 

Nem preciso dizer que quando vi esse filme fiquei também várias noites sem dormir, em grande parte por causa da música espetacular do grande Jerry Goldsmith!

26) CAMPO DOS SONHOS (James Horner) 

Gosto de várias trilhas do James Horner, mesmo aquelas que ele copia algum outro compositor ou a ele mesmo, porém entre as melhores coloque a que criou para o filme "Campo dos Sonhos". 

Li em entrevistas com Horner que essa trilha foi sendo composta meio no improviso, junto com as imagens do filme e com os solistas que dela participam - tanto é que na hora de prepará-la para o lançamento em disco, gerou problema o fato de não existir uma partitura escrita para ela! 

Essa é uma das trilhas mais inspiradas do compositor, repleta de momentos delicados e reflexivos e temas bonitos que acompanham o filme surpreendente estrelado por Kevin Costner. 

Os destaques ficam para a faixa "The Cornfield", que pontua a primeira vez que o protagonista escuta a voz do além afirmando que "se você construir, ele virá", e "The Place Where Dream Come True", que marca o tocante encontro final entre o personagem e o convidado misterioso que aparece em seu campo dos sonhos. 

De fazer chorar mesmo o mais barbudo dos marmanjos...

27) QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (Ennio Morricone) 

Só recentemente eu descobri o genial diretor Sergio Leone em toda sua plenitude. Até então, havia assistido apenas a "Era Uma Vez na América" e alguns pedaços de "Três Homens em Conflito" na TV. 

Depois de ver (quase) todos os seus filmes em DVD, cheguei à conclusão que se tratava de um cineasta completo, capaz de extrair o máximo de impacto de cada sequência que filmava, tanto em termos de técnica, quando de atuação. E a música do mestre Ennio Morricone tem papel importantíssimo em seus filmes. 

De seus faroestes, a que mais me tocou foi a trilha de "Quando Explode a Vingança", que´é o filme mais político de Leone, mostrando a revolução popular mexicana pelo ponto de vista de um andarilho safado que se une a um membro do IRA, especialista em explodir coisas. 

Morricone compôs um tema principal parecido com o de "Era Uma Vez no Oeste", também de Leone, e incorporou nele um solo vocal que canta literalmente "Sean-Sean", que é o nome do personagem irlandês de James Coburn! 

Em outra faixa, "A Marcha dos Mendigos", o compositor chega a incorporar um vocal que imita o coachar de um sapo, unido por um solo de bandolim que toca pequeno trecho de Mozart, com resultado altamente cômico! 

Para minha sorte, um selo europeu havia acabado de lançar um album duplo com a trilha completa, logo depois de eu ter visto o filme pela primeira vez. Nem preciso dizer que tenho, preciso?

28) IMENSIDÃO AZUL (Eric Serra) 

Adoro o mar e, obviamente, filmes sobre ele. Por isso, "Imensidão Azul" está entre meus filmes favoritos. 

Claro que a versão do diretor e não a picotada e reduzida que foi exibida na época. E como não poderia deixar de ser, adoro a musica composta por Eric Serra. 

Diferente do que estou acostumado a gostar, que é música orquestral, a trilha desse filme é toda tocada em instrumentos pop e sintetizadores, mas nem por isso deixa de ser tocante. 

É o tipo de música que agrada a todos - especialmente as mulheres - e que dá uma sensação de alegria imediata. Serra inclui sons que imitam o canto dos golfinhos e solos de saxofone lindíssimos em algumas faixas e encerra a trilha cantando em "My Lady Blue". 

Existem dois lançamentos diferentes da trilha de "The Big Blue": uma é um CD simples com 19 faixas e a outra é um CD duplo, com 33. 

Absurdamente, nos Estados Unidos a trilha de Eric Serra foi substituída por outra composta por Bill Conti, que nada mais era do que uma cópia mal feita da trilha original! Eta maniazinha ridícula que esses caras tem de mexer naquilo que já estava bom. Depois não entendem porque os filmes fracassam...

29) O SEGREDO DO ABISMO (Alan Silvestri) 

Alan Silvestri é um compositor muito irregular. Do tipo que alterna trilhas interessantes como "Predador" e "Contato" com outras abaixo do medíocre. 

Estranhamente, é o compositor favorito do diretor Robert Zemeckis, desde que trabalharam juntos em "Tudo Por Uma Esmeralda" e "De Volta Para o Futuro". 

Uma de suas trilhas mais eficazes é justamente a que compôs para o ótimo "The Abyss", filme aquático dirigido por James Cameron antes de "Titanic", que me marcou muito na época, principalmente por causa da cena em que o protagonista chega à cidade dos aliens submarinos, a qual me deixou arrepiado da cabeça aos pés. 

E grande parte do sucesso dessa obra se deve à trilha de Alan Silvestri, que intercala música orquestral pesada com solos de sintetizador, amarrando tudo no final apoteótico com a presença de coral de vozes. Nem preciso dizer que minha faixa preferida do CD é "Bud on the Ledge", justamente a música que acompanha a chegada do personagem de Ed Harris à majestosa cidade submersa. 

O filme foi lançado anos depois numa versão do diretor, que incluia um final bem diferente do original, que contava inclusive com a famosa cena da "onda gigante" criada pelos ETs para obrigar os humanos a acabarem com as hostilidades que estavam para culminar em guerra. Em 2014 a Varese Sarabande lançou a trilha completa do filme. Imperdível.

30) ET: O EXTRA-TERRESTRE (John Williams)

Não teria como ficar de fora essa maravilhosa trilha composta por John Williams para o que muitos consideram a obra-prima do diretor Spielberg. 

Uma verdadeira aula de composição para o cinema, a partitura de Williams começa discreta, destacando o clima de suspense do início do filme, e vai crescendo à medida que a amizade entre Elliot e E.T. desabrocha, até chegar ao final apoteótico na faixa "Escape/Chase/Saying Goodbye", capaz de arrancar lágrimas de qualquer um que tenha um coração batendo no peito.

Outros destaques ficam por conta das faixas "Far From Home/E.T. Alone", que descreve o começo do filme e corta para a perseguição que acaba deixando o alienígena sozinho na Terra, e "The Magic of Halloween", durante a qual Williams se dá ao luxo de citar o tema do Yoda quando as crianças cruzam com uma pessoa usando a fantasia do mestre Jedi de "Star Wars".

Existem várias versões da trilha, sendo a mais famosa a lançada na época que o filme chegou aos cinemas, mas que continha versões diferentes e versões para concerto da música que acompanha o filme (como tipicamente faz Williams com os álbuns de suas trilhas) e outras que disponibilizaram pela primeira vez a partitura completa tal qual ouvimos junto às imagens.
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