Postagem em destaque

SEJA UM PADRINHO DO TUDO EM CIMA!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada ...

domingo, 21 de maio de 2017

Filmes: "Rei Arthur - A Lenda da Espada"

INSUPORTÁVEL

Tudo é tão mal feito, escuro e histérico que fica impossível até entender o que se passa na tela

- por André Lux, crítico-spam

Fazia tempo que não via um filme tão insuportável quanto esse “Rei Arthur - A Lenda da Espada”. Não bastasse ser mais uma adaptação da batida lenda dos cavaleiros da Távola Redonda, é todo picotado e frenético na edição, ao ponto se tornar inteligível em várias sequências. Acaba parecendo mais uma mera colagem das cut scenes de videogames, aquelas cenas que interligam uma fase do jogo à outra onde você não pode interagir.

Claro que a culpa maior disso é do diretor Guy Ritchie que chamou a atenção em 1998 com o interessante “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, mas depois apenas se repetiu ou lançou porcarias indefensáveis como os dois “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr. Se o estilo frenético do cineasta já não combinava com as aventuras do detetive da era vitoriana, fica ainda mais ridículo aqui, onde a ação se passa numa época medieval mítica.

“Rei Arthur - A Lenda da Espada” tenta ser uma mistura de “Senhor dos Anéis”, “Game of Thrones” (tem até dois atores da série, um deles o “Littlefinger”), “Vikings”, “Harry Potter”, “Star Wars” (Eu sou seu tio!) e um monte de outros filmes que estão na moda atualmente (tem até um mestre de Kung-Fu!), tudo embalado como se fosse uma aventura moderna e descolada iguais aos filmes iniciais do Guy Ritchie, inclusive com os personagens falando e vestindo-se como se tivessem acabado de sair de um pub na periferia de Londres.

Mas tudo é tão mal feito, escuro e histérico que fica impossível até entender o que se passa na tela, como na sequência onde Arthur tem que ir à ilha sombria passar por provações e testes, mas isso é visto numa mistura de flashbacks e fast-fowards sob uma narração que vai explicando mal e porcamente o que está acontecendo. Não bastasse isso, o roteiro é péssimo e muda vários pontos da lenda clássica, colocando Arthur como filho do rei Uther que é lançado no rio e vira um lutador de rua criado por prostitutas, o que nos obriga a ver várias cenas dele esmurrando pessoas, repetindo a mesma besteira que Ritchie fez com Sherlock Holmes.

O filme já começa de forma risível, com uma batalha onde elefantes gigantescos (10 vezes maiores que os do “Senhor dos Anéis”) atacam Camelot sob o comando do mago Mordred, que além disso ainda joga bolas de fogo que desintegram os soldados inimigos. Mas bastou Uther Pendragon dar uma de Legolas, subir no elefante do chefe e, pronto, usando a poderosa espada Excalibur corta a cabeça do mago do mal. Por sinal, a famosa espada aqui funciona quase como o martelo do Thor e a gente nunca fica sabendo a extensão de seus poderes.

Aí descobrimos que tudo isso não passou de um plano engendrado pelo irmão do rei (Jude Law, que tem cara de almofadinha e não convence como vilão, perdendo-se em uma atuação digna dos piores canastrões) que se uniu ao Mordred para tomar o poder. Mas, como não dá certo, ele vai ao porão do castelo (hein?) e chama a vilã Úrsula de “A Pequena Sereia” que, depois de um sacrifício, o transforma numa mistura de Balrog com Sauron e, pronto, ele derrota o irmão e toma o trono. O que nos faz perguntar: se tinha esse poder todo à disposição, por que não o usou logo de cara?

O protagonista é feito por um loiro aguado (Charlie Hunnam de “Círculo de Fogo”) que tem a expressão de uma escultura de pedra e o carisma de uma ostra em coma. Para atrapalhar mais ainda, seu personagem não tem qualquer desenvolvimento e age de forma estúpida e petulante o tempo todo. Nem mesmo a cena em que tira a espada da pedra tem qualquer impacto, de tão forçada e mal encenada. Também não faz o menor sentido ele ter problemas em aceitar a Excalibur, muito menos as ações da maga que o ajuda. No final ela conjura uma cobra gigante que simplesmente aparece do nada e mata quase todos os malvados, o que nos faz perguntar novamente: por que não usou tal poder antes?

A trilha musical de Daniel Pemberton é ensurdecedora e completamente incongruente com o que vemos na tela, parecendo mais rejeitos de alguma banda de trash metal. A fotografia é escura e esmaecida, os efeitos visuais parecem pior do que muitos videogames e a única coisa que se salva às vezes é o desenho de produção.

Se você quiser conhecer a lenda do Rei Arthur, melhor mesmo ver “Excalibur”, do John Boorman (1981), ou então a sátira demolidora “Em Busca do Cálice Sagrado”, do Monty Phyton. Fuja desse “Rei Arthur” metido a besta!

Cotação: *

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...